domingo, 5 de outubro de 2008

A gangorra do Campeonato Brasileiro

Fiz um levantamento do aproveitamento dos clubes nas dez últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Como faltam dez rodadas para o final, podemos ver quem vem crescendo e quem vem caindo, comparado com a posição atual.

Flamengo e São Paulo perderam apenas um jogo nos últimos dez (a derrota do Flamengo foi para o próprio São Paulo). Mas o que atrapalha o Tricolor Paulista é a grande quantidade de empates. O time, inclusive, é o que mais empatou no campeonato.

P TIME J V E D GP GC SG PTS %
1 Flamengo 10 6 3 1 16 11 5 21 70
2 Goiás 10 6 2 2 21 7 14 20 67
3 Palmeiras 10 6 1 3 15 11 4 19 63
4 São Paulo 10 5 4 1 15 7 8 19 63
5 Internacional 10 5 2 3 16 14 2 17 57
6 Santos 10 4 4 2 15 10 5 16 53
7 Coritiba 10 4 3 3 17 11 6 15 50
8 Grêmio 10 4 3 3 13 11 2 15 50
9 Botafogo 10 4 3 3 10 10 0 15 50
10 Vitória 10 4 2 4 12 10 2 14 47
11 Ipatinga 10 4 2 4 11 16 -5 14 47
12 Cruzeiro 10 4 1 5 12 14 -2 13 43
13 Sport 10 3 3 4 11 8 3 12 40
14 Náutico 10 3 3 4 10 13 -3 12 40
15 Fluminense 10 2 5 3 13 13 0 11 37
16 Atlético-MG 10 2 4 4 12 15 -3 10 33
17 Portuguesa 10 2 2 6 11 17 -6 8 27
18 Atlético-PR 10 2 2 6 10 19 -9 8 27
19 Figueirense 10 2 2 6 13 23 -10 8 27
20 Vasco 10 2 1 7 12 23 -11 7 23

sábado, 4 de outubro de 2008

Dez rodadas, cinco times, um título


Faltando dez jogos para o final do campeonato, ainda não tenho coragem de afirmar quem vai ser campeão. No Campeonato Brasileiro mais disputado dos últimos tempos (senão de todos), os cinco primeiros colocados venceram e seguem embolados. Apenas 4 pontos separam o líder Palmeiras do quinto, São Paulo. Acho até que a rodada definiu que as vagas para a Libertadores ficarão entre os atuais postulantes ao título.

O líder recebeu o irregular Atlético-MG em casa e levou um susto, ao sair perdendo. O Galo, que vencia e assustava nos contra-ataques, perdeu o atacante Marques, expulso. Com um a menos, recuou. E facilitou o serviço do Palmeiras, que, comandado por Denilson, virou o jogo por 3 a 1.

Em Porto Alegre, o Grêmio espantou a série de quatro partidas sem vitória, ao bater o Botafogo, também de virada. Foi uma partida de alto índice de jogadas ríspidas, muitas faltas (mais de 60) e baixo nível técnico. A despeito do chororô, achei a expulsão do Jorge Henrique correta. Mas somente depois de ver o lance completo. Como ponto positivo, destaco a bela atuação do meia Douglas Costa, de apenas 18 anos e muito futuro, que inclusive chamou a atenção de Dunga enquanto treinava com a Seleção Sub-19 na Granja Comary, no mesmo local que a Seleção principal se preparava para os últimos confrontos das Eliminatórias.

No Recife, o Flamengo entrou em campo pressionadíssimo. Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro e São Paulo haviam vencido seus jogos. Não restava outra alternativa ao Rubro-Negro que não a vitória, sob pena de ver suas chances de título se esvairem. Jogando de modo inteligente, o time compactou-se, diminuindo os espaços entre os setores, diminuindo a chance de erros de passe (que mesmo assim foram muitos) no péssimo campo dos Aflitos. A entrada de Toró deu liberdade aos laterais. Ibson e Kleberson (este enquanto teve pernas) jogaram uma bela partida. Vandinho mostrou que não pode ser reserva. O resultado foi uma vitória por 2 a 0, com um direito a golaço de Leo Moura. O Náutico mostrou porque tem o segundo pior ataque do campeonato. Precisa de calma na hora de finalizar. Tivesse mais tranqüilidade e o resultado provavelmente seria outro.

Na parte do fundo da tabela, o Vasco segue seu calvário. Conseguiu a proeza de levar 4 gols do fraquíssimo time do Figueirense, em pleno São Januário. Isso depois de perder para o Ipatinga e o Náutico (este também em São Januário), em todos os jogos levando 3 ou 4 gols. Apesar do equilíbrio negativo entre os lanternas, não consigo imaginar quatro times que possam tirar a desonrosa vaga do Vasco. Se existem mais de 90% de chances de um carioca cair, estou quase apostando que o Vasco será um deles. Mas talvez não seja o único. Vai enfrentar o Fluminense no dia de finados (que data mais adequada), no clássico mais importante entre ambos desde a final do Brasileiro de 1984.

---------------
PS: assim que for publicado, colocarei o link dos gols da rodada neste post.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

É muita onda!


Quantos eneacampeões mundiais você conhece? Ué, você nem sabe o que é isso? Não se preocupe, certamente não é o(a) único(a). É tão raro ver alguém nove vezes campeão mundial de alguma coisa que o termo é usado de vez em nunca. De cabeça, pensando um pouco melhor, não lembro de nenhum eneacampeão mundial em nenhum esporte. Eneacampeões mundiais não são vendidos na feira. Mas hoje, em Mundaka, na Espanha, o surfista Kelly Slater fez a palavra sair dos confins do dicionário, levando-a para as manchetes de todos os jornais do mundo.

E isso porque o americano estaria desmotivado com a carreira. Campeão mundial mais jovem da história do surfe, aos 20 anos em 1992. Em 1996, ganhou 7 etapas do circuito e igualou o recorde de Tom Curren (outra lenda do esporte e herói de infância de Slater) e Daniel Hardman. Pentacampeão mundial, tornou-se o surfista com maior número de títulos. Hexacampeão, resolveu abandonar a carreira, de saco cheio de viajar e vencer. Foi curtir a vida: namorou Pamela Anderson, Cameron Diaz e Gisele Bündchen. Virou videogame, quando a Activision lançou o Kelly Slater's Pro Surfer em 2002. Cansou da vida de aposentado e voltou ao circuito.

E como tudo que faz na vida, voltou passando o rodo: destronou Andy Irons em 2005-2006, conquistando o hepta e o octa. Em 2005, na bateria final de Teahupoo, no Taiti, tornou-se o primeiro a alcançar uma bateria perfeita, ao receber duas notas 10. Deu uma chance para o australiano Mick Fanning em 2007, talvez para não desmotivar os adversários. E em 2008...

Slater resolveu estraçalhar em 2008. Surrou o atual campeão mundial Fanning em Jeffrey's Bay, África do Sul, ao fazer na final 16,73 x 9,40. Na final da etapa de Lower Trestles, na California, ficou em combinação contra Taj Burrow, que também lutava pelo título mundial. Precisava trocar suas duas notas por uma soma de 18,64. Mas o que acontece quando coloca-se um mito como Slater pressionado contra a parede? Faltando 1min07s para o fim, tirou um 9,27 da cartola, aplicou uma virada sensacional, fez 18,97 x 18,63 e papou a etapa. A Burrow, restou se conformar: "É meio frustrante sentar lá atrás e ver a onda que ele pegou". Ganhou 5 das 7 primeiras etapas e chegou na França podendo se tornar o campeão mundial com maior antecedência da história. Perdeu a final para Adrian Buchan. Ameaçou não disputar a etapa de Mundaka, a mais temperamental das ondas do circuito, onde quebra menos de 10% dos dias do ano. Slater acha que Mundaka não tem mais nível para sediar uma etapa do circuito.

Mudou de idéia e caiu na água. Precisava apenas de uma nona colocação, na nona etapa, para garantir o nono título mundial. Chovia granizo em Mundaka! Slater caiu na água e o sol apareceu, de surpresa. Bastava vencer a bateria contra o local Eneko Acero. E assim foi feito. Slater saiu da água eneacampeão mundial (a foto abaixo não é uma gozação ao Presidente do Brasil), conquistando o título com a maior antecedência da história e tornando-se o surfista mais velho a se tornar campeão mundial, aos 36 anos. Junto com o campeão, foi embora o sol, que aparecera apenas para presenciar a história sendo escrita. O cara desmotivado não pára de ganhar, não pára de bater recordes. Voltar em 2009 virou praticamente uma obrigação. Não consegui fugir do trocadilho do título do post.

Que venha o decacampeonato. E o undeca, o duodeca... Vamos correr para os dicionários, pois Kelly Slater não tem limites.