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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

O Michael Phelps da Ginástica?

A série Estrelas Olímpicas deveria ter sido finalizada antes dos Jogos Olímpicos começarem. Mas infelizmente não vivo do Arquibancada Digital e o tempo escasso impediu que eu tivesse fechando conforme desejara. Mas são ossos do ofício...

Este post então vai aproveitar para juntar dois assuntos. A estrela chinesa da ginástica artística Yang Wei conquistou hoje a medalha de ouro no individual geral masculino, ao marcar 94.575 pontos, dos quais 15.250 no solo, 15.275 no cavalo com alças, 16.625 nas argolas, 16.550 no salto, 16.100 na barra paralela e 14.775 na barra fixa. Para termos uma idéia, o vice-campeão, o japonês Kohei Uchimura, terminou com 91.975, com uma média de mais de 430 pontos a menos que o chinês por aparelho.

Wei já tinha sido o principal nome do título dos donos da casa na disputa por equipes, na terça-feira. Hoje deu mais uma prova do domínio no esporte. Mas vocês devem estar perguntando o motivo da comparação do título, certo? Se Wei não tem 11 medalhas de ouro olímpicas, por que compará-lo com Phelps?

Desde que o sistema de pontos da Ginástica mudou, Wei simplesmente venceu todas as competições que disputou, seja ela Copa do Mundo, Campeonato Mundial, Olimpíadas... Na competição por equipes, ele e seus companheiros foram os melhores em cinco dos seis aparelhos. Detentor de três medalhas de ouro olímpicas e uma de prata, Wei ainda tem a chance de papar mais três, nas finais individuais do cavalo com alça, argolas e salto. É ou não é uma comparação de respeito?

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O que fazemos com nossos atletas?

Vejo consternado uma notícia publicada no site Globoesporte.com, sobre turbulência vivida pela ginasta Jade Barbosa com a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). A reportagem diz que Jade não recebe os salários da CBG desde janeiro (!!!), tampouco do Flamengo, clube que ela defende. O pai da ginasta disse que a CBG fez uma proposta de R$350,00 reais por mês, mais bônus, desde que ela faça oito comerciais para o patrocinador da confederação.

Sim, você não leu errado. A CBG ofereceu menos que o salário mínimo vigente no país, que é de R$415,00 (de acordo com Medida Provisória nº 421/2008, de 29/02/2008)!!!

A Jade não é uma atleta qualquer (como se algum atleta fosse merecedor de descaso e desrespeito). Ela foi medalha de bronze no individual geral no Campeonato Mundial de 2007, que inclusive ainda era Pré-Olímpico. Ou seja, foi um Mundial de nível técnico elevadíssimo. Além disso, conquistou medalhas nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Tudo bem que o Pan é a oitava divisão das Olimpíadas, pois além de a maior parte dos países ser de péssimo nível técnico, os EUA não mandam suas equipes principais. Mas nem todos os esportes são assim e a Ginástica Artística é um exemplo. Não raro vemos campeãs mundiais e olímpicas disputando o Pan. O do ano passado foi especial porque era preparatório para o Mundial. Ou seja, as conquistas da Jade realmente são notáveis.

Mas se o dito aqui até agora já seria suficiente para deixar com raiva qualquer amante do esporte, nada é tão ruim que não possa piorar. O pai da Jade tem estado preocupado inclusive com a saúde da filha. A atleta não tem um seguro de saúde pago pela CBG. Se ela se machucar nos treinamentos ou na disputa dos Jogos, não há um responsável. E quem já viu alguma vez uma competição de Ginástica Artística sabe que as chances de uma contusão séria em qualquer dos aparelhos é imensa.

O pai da ginasta só aceita o fato de ela treinar no CT de Curitiba pois acha que assim terá maiores chances de medalha, por treinar com o ucraniano Oleg Ostapenko, técnico da seleção brasileira permanente. Se não fosse isso, o pai já tinha mandado Jade de volta para o Flamengo. Ele ainda diz que a menina tem estado emburrada. Será que ela tem razão? =(

Pra fechar com chave de lata, Jade tem um irmão mais novo, que treina no Flamengo, considerado por quem entende do assunto como uma grande esperança para a Ginástica masculina. Dizem que Pedro Barbosa, de 11 anos, tem o talento da irmã (que não é pouca coisa). Mas o pai, diante do quadro desolador da filha mais velha, pensa em não permitir que o garoto continue na carreira. Ele sai do trabalho às 16:00h para levar Pedro para treinar no Flamengo, chegando em casa muito tarde todos os dias, numa rotina cansativa.

Este é o retrato lamentável dos esportes no Brasil. Quando só vemos a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol não temos idéia de como é dura a vida de um atleta no Brasil, até mesmo os de altíssimo nível, como a Jade Barbosa. Enquanto ela dá ao país o sacrifício da foto abaixo, é retribuída assim. E um país desses ainda tem a desfaçatez de querer sediar Olimpíadas e Copa do Mundo...