domingo, 30 de novembro de 2008

Arquiba Awards 2008

Provavelmente no dia 14 de dezembro colocarei duas enquetes no ar aqui no Arquibancada Digital, inaugurando o Arquiba Awards. Vocês vão escolher o fato mais notável e o maior mico do ano esportivo de 2008. Simbolicamente entregaremos o Arquibancada de Ouro para o melhor desempenho do ano e o Mico Dourado, para a maior lástima.

Vou fazer um post no dia para explicar o motivo pelo qual cada concorrente entrou na disputa. Podemos usar a caixinha de comentários deste aqui para dar palpites sobre quem merece disputar. Para ajudar, eu começo:

Melhores desempenhos:
  • Os oito ouros olímpicos de Michael Phelps
  • Os três ouros olímpicos, com três recordes mundiais, de Usain Bolt
  • O primeiro ouro olímpico brasileiro na natação, de Cesar Cielo Filho
  • O primeiro ouro olímpico brasileiro no vôlei de quadra feminino
  • O ano esportivo espanhol, com Rafael Nadal vencendo Roland Garros, Wimbledon, Olimpíadas e ganhando o primeiro lugar do ranking mundial, somado ao título da Euro 2008 pela Fúria e ao tricampeonato da Copa Davis pela Armada Espanhola
  • Apesar de ainda não estar consumado, o virtual hexacampeonato brasileiro inédito (e tri consecutivo, também inédito) do São Paulo
  • Ainda não decidido, tricampeonato brasileiro do Grêmio
  • Brock Lesnar, novato que ganhou o cinturão dos pesados do UFC
Os micos da temporada seriam:
  • Eliminação do Flamengo para o América do México na Libertadores
  • Vice-campeonato da mesma competição do Fluminense, perdendo o título para a LDU
  • Também ainda não consumado, mas um provável rebaixamento de um campeão brasileiro
  • Campanha do caro time do Internacional no Campeonato Brasileiro
  • Atuação de Anderson Silva no UFC 90
Aliás, se vocês tiverem sugestões para os nomes dos prêmios, fiquem à vontade de dar os palpites na caixinha!

sábado, 29 de novembro de 2008

King James e New York


A Conferência Oeste é, por tradição, muito equilibrada, com fortes times. Na temporada passada, por exemplo, o Los Angeles Lakers venceu a temporada regular com uma campanha de .57 vitórias e 25 derrotas. O Phoenix Suns, sexto colocado no final, terminou com 55-27. A Conferência Leste traz menos disputa na ponta da tabela. Em 2007-08, o Boston Celtics fechou a primeira parte com 66-16 e o Orlando Magic, terceiro, com 52-30.

Pelo menos neste início de campeonato, parece que algo está mudando na NBA. O Leste promete uma briga forte pelo título da conferência. O Celtics lidera com 15-2, mas é seguido por Cleveland Cavaliers (13-3) e Orlando Magic (12-4), do superpivô Dwight Howard, líder das estatísticas em rebotes e tocos (13,5 e 3,9 por jogo, respectivamente). O time de LeBron James, cestinha da temporada com 27,9 pontos por jogo, é candidatíssimo a fazer a final da conferência contra o Boston, quando tudo poderá acontecer.

Quadro bem diferente do Oeste, onde o Lakers passeia sem ser incomodado pela concorrência. A campanha de 13-1 (92,9% de aproveitamento) é a melhor da liga. O Utah Jazz vem em segundo, com 11-6 (64,7% de aproveitamento). A briga será de foice para a disputa de quem deverá perder a final da Conferência para o time californiano. Empatados com o Utah temos o Phoenix Suns e Portland Trailblazers. Com uma vitória a menos e mesmo número de derrotas (10-6) vêm Houston Rockets e Denver Nuggets.

O líder da NBA teve uma semana um pouco atribulada. Depois de perder para o Detroit, o Lakers permitiu por mais duas vezes que os adversários passassem a contagem centenária. Muita chiadeira se ouviu na terra do cinema, já que o técnico Phil Jackson avisara que a temporada seria de atenção à defesa. Sobrou para o New Jersey Nets (7-7, 8º). O time de Vince Carter ainda se atreveu a marcar 28 pontos no primeiro período. Terminou surrado por 120 a 93. Mais uma vez o técnico poupou seus titulares. Pau Gasol jogou 31:10min, mas o resto sequer esteve meia hora em quadra. Ontem o time bateu o Dallas Mavericks (7-8, 9º), novamente no Staples Center, por 114 a 107. Mas desta vez não foi tão fácil. Os titulares tiveram que jogar muito tempo. Kobe Bryant fez 35 pontos em 39:45min em quadra, enquanto Andy Bynum cravou 18 pontos e catou 10 rebotes (36:20min). Outro sobrecarregado foi Gasol, que jogou 25s a menos que Kobe, marcando 14 pontos e 7 rebotes.


A boa notícia da semana foi a recuperação do San Antonio Spurs (9-6 e sétimo lugar na conferência). O argentino Manu Ginobili voltou às quadras na segunda-feira, na vitória sobre o Memphis Grizzlies (4-12, 13º) por 94 a 81. O trio de ferro da foto acima foi reunido pela primeira vez na temporada ontem, depois da recuperação do francês Tony Parker. O armador se juntou a Ginobili e Tim Duncan para novamente bater o time do Memphis, desta vez por 109 a 98. Mostrando a força coletiva do time, o técnico Gregg Popovich usou todos os 12 jogadores que tinha à disposição na partida, onde apenas Bruce Bowen não pontuou. Os demais fizeram pelo menos 4 pontos cada. Roger Mason foi o cestinha do time, com 20, enquanto o calouro O.J. Mayo cravou 32 para o adversário.

Outro assunto da semana foi a visita do Cavs de LeBron James ao Madison Square Garden. Especula-se com muita força nos EUA que New York será a nova residência de King James. O craque diz amar a cidade. E a fanática torcida do time mais rico da NBA diz amar o craque. O New York Knicks (7-8, 9º) vem limpando sua folha de pagamento para dar uma cartada em cima de dois free agents em 2010. Um deles é o King, o outro, especula-se, seria Chris Bosh, que aliás é o segundo cestinha da temporada, atrás apenas de LBJ. Nas mãos do técnico Mike D'Antoni, notável por montar fortes esquemas ofensivos, seria um time de respeito.

Ah!, teve jogo no Garden né? O Cavs passeou sobre o fraco Knicks, venceu por 18 pontos de diferença (119 a 101). Cada um dos 26 pontos de King James foram aplaudidos pelos 19.763 torcedores, que ocuparam a totalidade do Garden. O craque estreou no jogo o novo par de tênis, que tem nome de Big Apple Zoom LeBron VI (foto do alto do post). Para quem não sabe, Big Apple é o apelido da cidade de New York...

Na semana passada falei das campanhas negativas de times do Oeste dentro da zona de classificação para os playoffs. Neste ponto as coisas estão voltando ao normal. O Oeste fecha a zona de classificação com o New Orleans Hornets (9-6), time do craque Chris Paul, que fez dois triple-doubles seguidos na semana e que lidera a liga em assistências (12 por jogo) e roubadas de bola (2,8). Do outro lado, Miami Heat (8-8) e Nets estão no limite da campanha negativa, em sétimo e oitavo, respectivamente.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Retrospectivas do Arquiba

A gente vai ficando mais velho e o tempo parece que passa mais rápido. Dezembro está chegando e junto com ele as famosas retrospectivas de tudo que aconteceu no curso de 2008. Aqui no Arquibancada Digital não será diferente. Vou tentar usar o mês de dezembro para postar algumas retrospectivas do que aconteceu de mais relevante nos esportes em 2008 (e conto com a ajuda do Antonio e do Barretto, já que o Daniel e o Pedro são inúteis). Deveremos falar sobre:
  • Jogos Olímpicos de Pequim
  • Futebol: o ano do Campeonato Brasileiro mais interessante em muito tempo; a Eurocopa; Seleção Brasileira e Melhores do Ano
  • Basquete: a penúria brasileira; NBA
  • Tênis: o novo número 1 do mundo; Brasil x Argentina
  • Lutas: UFC; Affliction; fatos mais relevantes de outros eventos; Boxe (sim, ele resiste!)
  • Futsal: hegemonia reconquistada pelo Brasil
  • Futebol Americano: Carioca Bowl e NFL
  • Automobilismo: o título do Hamilton
Vou tentar não ser repetitivo, avaliando como uma retrospectiva mesmo, vendo o que cada fato trouxe de impacto, por exemplo.

Se vocês lembrarem de mais alguma coisa que eu tenha esquecido na lista acima, mandem ver na caixinha de comentários, que a gente posta também.

Espero que curtam!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Semifinais do Carioca Bowl definidas

Por Gustavo Barretto


No último sábado, dia 22, o Botafogo Reptiles superou o rival Rio de Janeiro Sharks por 16 x 10 e enfrentará o arqui-rival Titãs, atual bicampeão, na disputa de uma das vagas na grande final.

Jogando bem abaixo de sua capacidade, a equipe do Botafogo saiu perdendo o primeiro tempo por 3 x 0 e a diferença só não foi maior porque o adversário não soube capitalizar os seguidos erros do ataque botafoguense. Cometendo um erro infantil, a equipe do Sharks cedeu um safety através de um erro de snap do Center e no punt de retorno o KR/RB #34 Thiaguinho fez um excelente retorno pra TD (extra point convertido), virando a partida pra 9 x 3. Mostrando-se nervosa, a equipe do Sharks cometeu mais erros que o Reptiles, que capitalizou em mais um TD através do FB #44 Miranda (XP convertido), aumentando a vantagem para a 16 x 3. Já no final, sem nada a perder, o Sharks descontou com o RB #40 Romulo (XP convertido), dando números finais à partida, pois já era tarde para uma recuperação.

Sobre a partida da semana que vem, que será no próximo sábado, dia 29 às 16 da tarde, no campo do Titãs em Copacabana, o resultado é imprevisível. As duas equipes fizeram o melhor jogo do campeonato, que terminou empatado em 17 x 17. A partida será decidida em detalhes. Mas uma certeza temos: algum tabu será quebrado. O Reptiles vem tentar sua oitava final consecutiva, o Titãs tenta manter sua invencibilidade em playoffs e também a invencibilidade sobre o rival jogando em Copacabana. Certamente será um jogo imperdível. Palpite de jogador, técnico e fundador do Titãs, nem um pouco imparcial: vitória do Titãs.

Já no domingo dia 23, o Falcões, que está sem poder jogar em casa devido à falta de areia na Barra, mandou seu jogo no Siqueirão, em Copacabana. Mesmo assim não teve dificuldades em superar seu arqui-rival da Barra, o Mamutes, por 26 x 9, com grande atuação da sua estrela WR/RB/MLB/* Vinny #09, que marcou três TDs (um XP convertido), o último deles com direito a um mortal para entrar na endzone. FB #25 marcou o outro TD (XP também convertido) para os homens de azul. Pelo Mamutes, que teve uma atuação ofensiva bem abaixo do que se esperava, WR #80 JP marcou o único TD da equipe (XP não convertido), com passe do QB #03 Dandan, que também marcou o único field goal de sua equipe.

No próximo domingo dia 30, no campo do Titãs em Copacabana, o Falcões tentará surpreender o favoritíssimo Red Lions, que chega invicto nos playoffs e também a este colunista, que acredita que os homens de azul mais uma vez não passarão da semifinal.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Supremacia Muricy


O hexa só não virá se acontecer uma hecatombe. Tanto fizeram Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo que conseguiram deixar o Campeonato Brasileiro de mão beijada para o São Paulo. O tricolor está a dois pontos em dois jogos de se tornar o primeiro Hexacampeão Brasileiro e o primeiro a conquistar o campeonato por três vezes consecutivas. Basta vencer o Fluminense no domingo que vem, no Morumbi com já todos os ingressos vendidos, para garantir o título com uma rodada de antecedência.

Para perder o campeonato, o São Paulo precisa fazer algo que não faz há 16 rodadas: Perder um jogo. Desde a primeira rodada do returno ninguém sai vitorioso de campo contra o São Paulo. O time vem de seis vitórias seguidas, ganhou 9 dos últimos 10 jogos. Só esteve no G4 em oito rodadas. Mas esteve na hora certa. Enquanto os adversários não entenderem que é preciso organização, o São Paulo vai colecionar campeonatos brasileiros.

Ontem o time encarou São Januário lotado e um Vasco desesperado na luta contra o rebaixamento. Impôs o seu futebol firme, consistente e venceu o adversário, mesmo fora de casa. Abriu 1 a 0 com um gol de falta de Jorge Wagner, sofreu o empate ainda no primeiro tempo. Como em Salvador o Grêmio vencia o Vitória, o campeonato tinha um novo líder no intervalo. Mas o São Paulo deu mais uma prova de força, fez o segundo com apenas 4 minutos do segundo tempo. Um minuto depois o Vitória empatava no Barradão. Enquanto o Vasco tentava empatar a qualquer custo, o Vitória foi fazendo gols. Abriu 4 a 1, com direito até a gol de bicicleta, resultado que praticamente selava o destino do campeonato. Souza ainda diminuiu para o Tricolor Gaúcho com um balaço de falta, mas o São Paulo não fraquejou e ganhou mais uma. Edmundo perdeu um gol incrível. Rogério Ceni fez várias grandes defesas e ainda tomou de André Dias a liderança da Bola de Ouro da revista Placar.

No Mineirão, Cruzeiro e Flamengo fizeram um jogo muito movimentado, cheio de alternativas. O time mineiro venceu com justiça, pois dominou boa parte do jogo, criou as melhores oportunidades e finalizou mais do triplo de bolas do que o Flamengo. Podia ter vencido com mais tranquilidade se não tivesse desperdiçado as chances no primeiro tempo, quando o Flamengo praticamente nada fez. Como a Raposa fez somente um gol na primeira etapa, deu chance pro Flamengo rever os erros, adiantar a marcação e empatar o jogo. Aí sim o clássico pegou fogo. O Flamengo quase passou na frente, mas o bandeira viu um impedimento do Tardelli que até agora ninguém conseguiu entender como ele marcou aquilo. O Cruzeiro desempatou com Thiago Ribeiro. E logo depois o Flamengo novamente empatou com Obina. Juan ainda perdeu um gol inacreditável dentro da pequena área, com Fabio já caído. O Cruzeiro meteu uma bola na trave e chegou ao gol da vitória aos 41, com Ramires, grande nome do jogo. Um minuto depois Tardelli arrumou um salceiro na defesa cruzeirense, entortou Thiago Heleno e bateu pra uma defesa milagrosa do Fabio. E no último minuto um pênalti escandaloso foi ignorado pelo péssimo Carlos Eugênio Simon. Acabou fazendo justiça, pois o Cruzeiro mereceu ganhar. Agora, o Simon estava muito bem colocado. Simplesmente inacreditável como ele não marcou o pênalti. E ainda expulsou o Tardelli e o capitão Fabio Luciano (já com o jogo terminado). Pode ter decretado a eliminação do Flamengo da Libertadores 2009.

Muricy Ramalho foi vice-campeão brasileiro em 2005, quando perdeu pelo Internacional o título para o Corinthians, com o lance do pênalti contestado não marcado sobre o Tinga. Depois disso ganhou os campeonatos de 2006 e 2007 pelo São Paulo. O melhor técnico do Brasil (disparado) vai ganhar o de 2008. E você duvida que vai papar o de 2009 também?

Eu não.

domingo, 23 de novembro de 2008

Armada Espanhola é grande!


Primeiro, Rafael Nadal diz que não vai jogar a final da Davis. A Argentina entra em festa, já imaginando o título inédito com uma atropelada de 5 a 0 ou 4 a 1. No primeiro jogo do confronto, David Nalbandian só aumenta a confiança, depois de passar o carro em David Ferrer, principal nome espanhol no confronto.

Aí o Feliciano Lopez entra em quadra para a segunda partida e, contra todas as previsões, cresce com a pressão da torcida adversária contra ele, vence o número 1 argentino e empata tudo. Pra piorar o Del Potro se machuca.

Nas duplas, mais uma vez os espanhóis superam a torcida inflamada e mal educada e confirmam o favoritismo. Delpo confirmado que fica fora do resto do confronto. José Acasuso substituirá o número 1 do país e muitos argentinos começam a se conformar com o terceiro vice da Davis.

Acasuso começa jogando muito mal contra Fernando Verdasco, que tem a dura missão de substituir David Ferrer no jogo que pode fechar o confronto. Emilio Sanchez arriscou, escalou um jogador forte fisicamente, em grande forma física. A torcida argentina está murcha, querendo apoiar, mas vendo que seu jogador está num péssimo dia e perde o primeiro set. De repente Acasuso entra no jogo, inflama a torcida e vira a partida.

Calma! Quem disse que acabou aí? Verdasco, mostrando um estupendo preparo físico, novamente voltou ao jogo. Venceu o quarto set pressionadíssimo e passeou no quinto. Os 6/1 só confirmaram a superioridade física incrível, principalmente por se tratar do último jogo da temporada para ambos. Acasuso, muito cansado, não teve forças para reagir. A fisionomia de Fernando Verdasco era de impressionar (foto acima). Parecia o Olho de Tigre, do Rocky Balboa. Nada o abalava. O winner de forehand do ponto final foi assombroso. Verdasco meteu a mão com uma fúria como se tivesse socando um adversário, depois de quatro horas de batalha. O espanhol mostrou que é mais do que o namorado da sérvia Ana Ivanovic.

É a primeira vez que a Espanha ganha uma Davis fora de casa. Ainda mais num cenário tão desfavorável. Mas Emilio Sanchez mostrou que é um Midas, o que toca vira ouro, como bem disse o Dácio Campos na transmissão do Sportv. Disse Fernando Verdasco na coletiva do título: “Quando Emilio está do nosso lado, é como se jogássemos em dois contra um. Ele tem superpoderes”. A Armada Espanhola foi grande.


E depois de tanta mostra de falta de educação, os hinchas argentinos se redimiram no final. Aplaudiram de pé os espanhóis, que circundavam a quadra, comemorando o título. E depois começaram a gritar "Argentina! Argentina!", numa mostra de gratidão aos guerreiros que lutaram muito em quadra.

O céu está um pouco mais rubro-negro

O Arquibancada Digital presta uma homenagem a um dos maiores ícones da história do Clube de Regatas do Flamengo. Faleceu hoje pela manhã o radialista Celso Garcia. Um dos maiores nomes da história do rádio esportivo brasileiro, Celso ficou conhecido como o "Garoto do Placar" nas transmissões futebolísticas. Pupilo do grande mestre Waldir Amaral, Celso foi um grande incentivador do rádio, também conhecido por ter dado suporte a vários iniciantes, como o narrador José Carlos Araújo. Celso Garcia era muito respeitado por todos no meio.

Mas seu maior feito (pelo menos para mais de 35 milhões de brasileiros) não foi alcançado no rádio. Há mais de 40 anos, precisamente na manhã de 28 de setembro de 1967, Celso Garcia mudou a história do Flamengo para sempre. Foi o dia em que o radialista levou para o Flamengo um menino franzino de 14 anos, mas com muito talento. Seu nome: Arthur Antunes Coimbra. Celso Garcia foi o descobridor do Zico.

O Galinho estava apalavrado com o América, onde era ídolo seu irmão Edu. Naquela manhã, Celso foi a Quintino, na casa dos Antunes, pedir para que Seu Antunes deixasse o filho ir treinar no time de coração. Convencer o pai foi fácil. Difícil foi fazer Modesto Bría, ex-jogador e ídolo paraguaio que comandava as categorias de base do Flamengo, acreditar que aquele frangote de menos de 40kg seria jogador de futebol. Celso conheceu Zico jogando futebol de salão pelo Juventude de Quintino, num jogo no River Futebol Clube, quando o garoto fez simplesmente 10 gols na goleada de 14 de seu time.

Usando sua verve de comunicador e se aproveitando de ser respeitado por todos, Celso Garcia armou uma situação e convenceu Bría a dar uma oportunidade para o menino. Zico então vestiu uma camisa do Flamengo, calçou suas chuteiras e entrou em campo no jogo-treino. Na primeira vez que tocou na bola, meteu a bola no meio das pernas de um marcador duas vezes maior que ele. Jogou muito, fez o gol da vitória, encheu os olhos do paraguaio, que não conseguia entender como aquele menino raquítico, com dentes tortos, dentro de um short que cabiam três dele, jogava tanto, e foi aprovado para ficar. O resto é História.

O corpo de Celso Garcia será enterrado hoje, às 17:00h, no Cemitério de Inhaúma, no Rio de Janeiro. No mesmo momento o time do Flamengo entra em campo em Belo Horizonte, contra o Cruzeiro, onde será observado um minuto de silêncio. O presidente Marcio Braga decretou luto de três dias no clube.

Tive a oportunidade de conhecê-lo na Gávea e agradecer pessoalmente pelo maior ídolo da minha vida. Celso Garcia sempre estava sorrindo. Agora ele deixa a Nação Rubro-Negra triste. Triste, mas agradecida por toda a eternidade.

Celso Garcia, muito obrigado em nome de todos os torcedores do Flamengo e de quem gosta de futebol. Descanse em paz.

sábado, 22 de novembro de 2008

Sorteio dos grupos da Copa das Confederações 2009

A FIFA realizou hoje, na anfitriã África do Sul, o sorteio dos grupos para a disputa da Copa das Confederações de 2009, evento que antecede a Copa do Mundo de 2010. O torneio engloba a Itália (campeã mundial), os campeões continentais Espanha (UEFA, Eurocopa), Brasil (Conmebol, Copa América), EUA (Concacaf), Egito (CAF, Copa Africana de Nações), Iraque (AFC, Copa Asiática), Nova Zelândia (OFC, Copa das Nações da Oceania), além da África do Sul, dona da casa.

O sorteio, que contou com as Misses dos países participantes, colocou no grupo A África do Sul, Iraque, Nova Zelândia e Espanha. No grupo B irão se enfrentar EUA, Itália, Brasil e Egito. Na primeira rodada teremos África do Sul x Iraque, Nova Zelândia x Espanha, EUA x Itália e Brasil x Egito.

Aparentemente bondoso com a anfitriã, o sorteio traz uma responsabilidade para o time de Joel Santana. Os Bafana Bafana têm obrigação de se classificar para as semifinais junto com a Espanha, sob pena de entrar em crise e ter seu técnico demitido a um ano da Copa. Se tivesse caído no grupo B, no lugar do Egito, a responsabilidade de eliminar Brasil ou Itália seria bem menor. Somente uma amarelada fará a África do Sul sucumbir em casa diante de Nova Zelândia ou Iraque. Quem deve estar rindo de orelha a orelha é Vicente del Bosque, técnico da Fúria.

Brasil e Itália fazem uma prévia do confronto em fevereiro, num amistoso que será disputado em Londres. O Egito é a grande força do continente africano, apesar de não ter resultados fora do continente de tanto destaque. Mas é o maior campeão africano e tem os clubes que dominam as competições continentais. Os EUA são uma incógnita, podem vir fracos como em 98, ou fortes como em 2002. É uma seleção que evoluiu muito. Apesar de tudo, Brasil e Itália têm a obrigação de se classificar.

Sinal de alerta aceso na Davis


Quando Rafael Nadal confirmou sua ausência da final da Copa Davis, uma onda de otimismo tomou a Argentina. Sem o número 1 do mundo, a Espanha não seria capaz de parar Juan Martin Del Potro e David Nalbandian, ambos em grande fase. Mas como, em qualquer esporte, o vencedor só sai em quadra, no fim do jogo...

Nalbandian abriu o confronto jogando em altíssimo nível, atropelando David Ferrer por 3 sets a 0, sem dar chance ao adversário, enchendo ainda mais de esperanças os hinchas. Del Potro, tenista número 1 da Argentina, viria a seguir, para enfrentar Feliciano Lopez, mais de 20 posições abaixo dos outros três no ranking.

Mas nem sempre dá a lógica. Delpo talvez tenha sentido a maratona de jogos (semana passada estava na China jogando a Masters Cup), sofreu uma distensão no adutor da coxa e foi derrotado por 3 sets a 1 por Feliciano Lopez, de virada. Lopez jogou muito, não se importou com a panela de pressão que se tornou o ginásio de Mar del Plata (veja o vídeo ao final do post, da hinchada argentina enlouquecida). Ao contrário de Feli, parece que Del Potro sentiu o peso da final em casa.


Jogo tênis e já tive uma distensão no adutor da coxa, abri um rombo de 5cm no músculo. E vou dizer: é praticamente impossível jogar tênis com esta contusão, principalmente pela quantidade de passadas laterais e piques de explosão dadas numa partida.

Agora o capitão Alberto Mancini encontra-se numa sinuca: anunciou que Nalbandian vai jogar a dupla hoje, para tentar minimizar o favoritismo espanhol neste jogo. Mas vai correr o risco de desgastar demais David para amanhã e passar o mesmo aperto que passou contra a Rússia, quando precisou fazer o mesmo. Mas, diferente da semifinal, provavelmente Luli Mancini não terá Del Potro para fechar o confronto.

E a final, que ameaçou ser um passeio argentino, pode acabar terminando numa tragédia espanhola...


Semana de altos e baixos

A semana da NBA teve como grande notícia uma quebra de recorde obtida pelo cracaço LeBron James. O ala do Cleveland Cavaliers se tornou o mais jovem jogador a atingir a marca de 11.000 pontos na carreira, ao marcar 31 contra o New Jersey Nets, na quarta-feira. LeBron alcançou a meta com 23 anos e 324 dias. O recordista anterior era Kobe Bryant, com 25 anos e 99 dias. Provavelmente todos os recordes de pontos por idade deverão ser quebrados pelo gênio Lebron James.

Apesar da grande notícia, a semana não teve apenas louros para o Cavs. No dia seguinte o time viu sua série de oito vitórias seguidas ser quebrada pelo Detroit Pistons, que já havia tirado a invencibilidade do Los Angeles Lakers na semana passada. Para piorar, LeBron teve uma péssima atuação (para os níveis dele, frise-se). O ala marcou 25 pontos, pegou 6 rebotes e deu 6 assistências. Ué, jogou mal? Pois é, às vezes os scouts enganam. LeBron foi parado pela fortíssima marcação do Detroit, que lhe forçou um pífio aproveitamento nos arremessos de quadra: 8 acertos em 21 tentativas de 2 pontos (38% de aproveitamento), 0 em 4 nos lances de 3 pontos.

Já o Detroit, depois da grande atuação contra o Cavs, foi surrado pelo Boston Celtics, no TD Banknorth Garden. Depois de terminar o primeiro quarto empatados em 21, o que se viu no segundo e terceiro foram verdadeiros bailes verdes. Nove pontos de vantagem no segundo, onze no terceiro. O Boston entrou no último período vencendo por 20 e puxou o freio de mão. Acabou o jogo com uma vitória por 98 a 80. Rajon Rondo foi o destaque, anotando 18 pontos e fazendo 8 assistências. Ainda teve o mérito de anular a principal força ofensiva do adversário. Allen Iverson anotou apenas 16 pontos, depois de ter marcado 10 no primeiro confronto entre as equipes, em Detroit, mostrando sua dificuldade quando enfrenta uma defesa forte.

Leste mais forte que Oeste

É comum escutar que, de modo geral, os times do Leste são mais fracos do que os do Oeste. Eu mesmo sou ardoroso defensor desta tese. Mas este início de temporada está mostrando um panorama diferente.

O Oklahoma City Thunder, ex-Seattle Supersonics, tem a pior campanha da NBA (1-12, 7% de aproveitamento). Apesar de o Washington Wizards ter a segunda pior, com 1-9 e 10%, Los Angeles Clippers (2-10) e Minnesota Timberwolves (2-9) reforçam as babas do Oeste. O Wizards ainda tem a desculpa de ter seu craque Gilbert Arenas fora de combate, contundido.

Do outro lado da balança, o Lakers (10-1, 90,9%) lidera a liga, mas está seguido de perto pelo Celtics (12-2, 85,7%). Cavs e Orlando Magic (9-3, 75%), Pistons e Atlanta Hawks (8-4, 66,7%), ainda têm campanhas melhores do que o segundo do Oeste, o Utah Jazz (8-5). Ou seja, o vice-líder do Oeste seria apenas o sexto no Leste.

Mostrando o imenso equilíbrio do Oeste, empatados com o Utah na vice-liderança, aparecem nada menos que Houston Rockets, Phoenix Suns, Portland Trailblazers e Denver Nuggets.

Primo Rico, Primo Pobre

Quem não tem altos e baixos é o Lakers, que segue fazendo a melhor campanha da liga, como visto acima. Mesmo com Kobe somando números modestos para seu padrão (médias de 24,7 pontos, 5 rebotes e 3,7 assistências), o time vem passeando em quadra. O técnico Phil Jackson tem escalado normalmente Vlad Radmanovic, Pau Gasol, Andy Bynum, Kobe Bryant e Derek Fisher como titulares. O técnico já declarou que prefere que seus titulares joguem menos de 34 minutos numa partida. Então, durante o jogo, lança Odom, Ariza, Vujacic e Farmar. O nível não cai. Todos sabem da importância vital de ter um bom banco de reservas no basquete. Vencer um time assim é bastante complicado.


Na quinta foi dada uma mostra desta força. O Lakers sacodiu o Suns, mesmo jogando em Phoenix. A surra poderia ter chegado facilmente aos 20 pontos, se Phil Jackson mantivesse os titulares por mais tempo. Resolveu poupar o time e venceu "apenas" por 105 a 92. Odom saiu do banco para deixar 13 pontos e 9 rebotes a favor do Lakers. Radmanovic acertou as cinco bolas de 3 que tentou.

Ontem foi ainda pior. Na partida contra o remodelado Denver Nuggets, mesmo com Carmelo, Billups e Nenê em quadra, nenhum titular do Lakers jogou sequer 30 minutos. Kobe, por exemplo, sequer pisou em quadra no último período. E mesmo assim o Lakers venceu por 104 a 90. A diferença no início do último quarto era de 21 pontos.

Imaginem como vai ficar quando Kobe resolver entrar em ação...

Enquanto isso, qual é (ou são) o(s) problema(s) do Los Angeles Clippers? Por que um time com Baron Davis, Marcus Camby, Cutino Mobley, Ricky Davis e Chris Kaman, apontado por muitos (eu inclusive) como candidato aos playoffs, joga tão mal assim? Seu ataque só não é pior do que o Charlotte Bobcats. Sua defesa é a quinta mais vazada.

O comentarista Fabio Sormani aponta para o técnico Mike Dunleavy. A melhor passagem de Dunleavy como técnico foi a final perdida para o Chicago Bulls, treinando o Lakers, em 1991. No comando do Clippers há seis temporadas, conseguiu apenas uma classificação para os playoffs. No campeonato passado terminou com patética campanha de 23-59 (28.0% de aproveitamento). Dunleavy inclusive arrumou confusão com Baron Davis, a principal contratação da equipe na temporada.

Grande Decepção

Até o momento, a grande decepção na liga é a campanha do New Orleans Hornets. Apontado como um dos favoritos à final de conferência, o time tem até o momento uma campanha de 6-5. Conseguiram inclusive a proeza de perder para o fraco Sacramento Kings em casa. Para piorar o cenário, o time californiano estava desfalcado de três titulares (Francisco Garcia, Kevin Martin e Mikki Moore).

Certamente a culpa do fiasco não é do armador Chris Paul. O craque lidera a liga em assistências, roubadas de bola e em número de double-doubles.

Mico da Semana

Na semana passada Shaquille O'Neal protagonizou uma cena tragicômica. Nesta, pagou dois micos. O pivô do Phoenix Suns foi expulso na partida contra o Pistons, ainda no primeiro tempo, depois de fazer duas flagrant fouls. Para piorar, na derrota contra o Utah Jazz, levou três tocos no último quarto, sendo que dois foram dados numa diferença 2 segundos, pelo russo Andrei Kirilenko. O primeiro foi dado dois minutos antes, por Paul Millsap (foto ao lado).

Mais do que impedir o adversário marcar pontos, os tocos encheram os donos da casa de moral. Carlos Boozer marcou 14 dos 21 pontos a partir daí e comandou a vitória do Jazz por 109 a 97.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Road to IX Carioca Bowl


Por Gustavo Barretto

A partir deste sábado, 22 de novembro, até a grande final no dia 14 de dezembro, as areias do Rio de Janeiro irão abrigar os playoffs do Campeonato Estadual de Futebol Americano.

Na primeira rodada o Botafogo Reptiles, que tenta chegar a sua oitava final consecutiva, recebe o Rio de Janeiro Sharks na praia de Botafogo, com quem já decidiu e venceu as finais do Carioca Bowl IV e V. A equipe de Botafogo chega com a campanha 7-2-1 e favorito contra o 5-6 (a equipe sofreu uma derrota como punição por não entregar a documentação de inscrição no prazo) dos rivais, mas algumas crises internas no atual vice-campeão e a fase ascendente do Sharks podem contrabalançar este favoritismo. Mesmo assim o palpite é que o Botafogo se classifique. O vencedor enfrentará o Titãs, atual bicampeão carioca. Caso o Botafogo vença, teremos na semifinal uma repetição das duas últimas finais.

Na outra partida da rodada, o Falcões da Barra da Tijuca recebe o Mamutes Futebol Americano no clássico da Barra da Tijuca. A partida será perto do Corpo de Bombeiros, no início da Praia. Apesar de campanhas semelhantes, 6-4 do primeiro contra 5-5 deste último, as equipes vivem momentos distintos. Com o retorno de sua grande estrela Vinny, após um periodo de férias, a equipe dos Falcões derrotou seus rivais por contundentes 20-3 na última rodada da temporada regular e vem empolgada para esta disputa no mata-mata. Já o Mamutes, que começou com uma campanha de 4-0, perdeu o rumo após ser surrado impiedosamente pelo Red Lions (39-0) e pelo Titãs (53-3) e não se encontrou mais. O Falcões é favorito a enfrentrar o Red Lions na outra semifinal.

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Complemento do Alexandre:

O Botafogo Reptiles é o maior campeão da história, com um tetracampeonato consecutivo (2002-2005). Os extintos Rio Guardians e Copacabana Eagles venceram as duas primeiras edições (2000 e 2001, respectivamente). E os Titãs (nascido do término do Eagles) são os atuais bicampeões da competição (2006 e 2007), vencendo o Reptiles em ambas as decisões, a primeira decidida na prorrogação.

Na final do ano passado pudemos presenciar um fato histórico: o touchdown que deu o título ao Titãs foi marcado pelo nosso bravo Barrettão, amigo e colaborador do Arquiba, que compunha a linha de defesa no momento da jogada. Barretto também atua na linha ofensiva, além de ser Presidente do Titãs e coordenador de ataque da Seleção Carioca.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Quando o tênis lembra o futebol


De sexta-feira, 21, até domingo, 23, acontecerá a final da Copa Davis de Tênis, entre Argentina e Espanha. O confronto será disputado na cidade argentina de Mar del Plata, em quadra de carpete em ginásio coberto, depois de a cidade brigar contra Cordoba e Tandil, preferências dos tenistas principais.

A Copa Davis é o torneio onde o tênis mais lembra o futebol. Diferente da temporada da ATP, onde cada tenista joga por si, na Davis (que é organizada pela ITF) os atletas são dispostos em times, defendendo suas seleções nacionais. E os confrontos sempre acontecem na casa de um dos times envolvidos. Deste modo, a Davis conta com presença marcante da torcida. Já tive a oportunidade de ver ao vivo alguns confrontos e o ambiente é totalmente diferente do tênis cotidiano: muita pressão da torcida, vaias no saque adversário, gritaria, vale tudo para defender o time da casa e desestabilizar o adversário. Assim, por exemplo, vencemos a Áustria, que tinha o número 1 do mundo à época, Thomas Muster.

Em 2008 chegaram à final as duas grandes escolas da atualidade. Infelizmente o povo argentino (e todos os amantes do tênis) não terão o privilégio de assistir ao tenista número 1 do mundo, o espanhol Rafael Nadal, contundido. O time espanhol chegou a Mar del Plata com David Ferrer (número 12 do ranking da ATP), Fernando Verdasco (16), Feliciano Lopez (31) e a surpresa Marcel Granollers (56). Apesar do sério desfalque, a equipe capitaneada por Emilio Sanchez acredita na conquista do terceiro título da competição.

A Argentina vai para a batalha no Estadio Islas Malvinas com os números 8 e 9 do mundo, respectivamente David Nalbandian e Juan Martín Del Potro, além de José Acasuso (48) e Agustín Calleri (60). A equipe liderada por Alberto Mancini, além da força da torcida portenha, confia na grande fase vivida por Del Potro, que disputou a Tennis Masters Cup. E o fim da temporada é o momento em que Nalbandian mais tem rendido nas últimas temporadas, é quando ele se sente mais à vontade.

Rafael Nadal está no auge da carreira, passou Federer no ranking mundial e o venceu na final de Wimbledon, além de ter sido tetracampeão em Roland Garros e campeão olímpico. Com ele em ação a Armada Espanhola é um time poderoso, porém muito dependente do saibro. Os espanhóis têm tradicionalmente muitas dificuldades no piso que será utilizado na final. Para se ter uma idéia, no final da temporada de 2007 Nadal enfrentou duas vezes Nalbandian em carpete coberto, nas quartas-de-final de Madrid e na final de Paris. Saiu derrotado em ambas as ocasiões, nas duas únicas vezes que os tenistas se enfrentaram. Sem ele as chances de título despencam.

O time argentino, na minha opinião, é mais completo do que o espanhol. Na verdade é a seleção mais versátil do mundo na atualidade. Também são baseados no saibro, mas diferentemente dos espanhóis, já conseguiram grandes feitos em outros pisos. A Argentina eliminou a Austrália na grama em 2005, vencendo o time de Lleyton Hewitt por 4 a 1. Além disso, Nalbandian se sente muito à vontade em quadras de carpete coberto. Já venceu os Masters de Madrid e Paris neste piso (2007), além da Masters Cup, batendo Federer na final (2005). Jogou a final de Paris em 2008, quando perdeu para o anfitrião Jo-Wilfried Tsonga.

Já Del Potro tem um estilo de jogo que muito me lembra Gustavo Kuerten em seus grandes momentos. Porém a estatística pesa: contra Ferrer, tem uma vitória em três partidas. Mas, como disse antes, está em uma grande fase e foi o herói da classificação argentina na semifinal, quando venceu os russos Nikolay Davydenko e Igor Andreev por 3 sets a 0.

Ver os tenistas argentinos em atividade hoje em dia (são dois top 10, quatro top 50 e nove top 100) me faz ter raiva da CBT. Os argentinos nunca tiveram um Guga, mas souberam investir no esporte e o resultado está aí. Mas isso é assunto para outro post.

Mas quem vai levar a melhor? A Argentina vai prevalecer o mando de campo, a torcida e o piso? Ou a Espanha vai tirar um coelho da cartola, superar o desfalque de seu principal jogador e bater a rival?

Acho que chegou a hora dos hermanos, que já foram vice-campeões em duas oportunidades (1981 e 2006). E vamos aos palpites:

Sexta-feira: Del Potro faz 1 a 0 contra Verdasco. Nalbandian abre 2 a 0 contra Ferrer.
Sábado: Espanha diminui o prejuízo para 2 a 1 na dupla.
Domingo: Del Potro vira ídolo definitivo ao vencer Ferrer.

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Obs.: Originalmente este post havia sido escrito em 28 de outubro, quando obviamente ainda não sabia que Rafael Nadal não participaria do confronto. Precisei editar...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Chamem a SUIPA!


O Porco foi triturado no Maracanã, num crime com requintes de crueldade. Com uma atuação de gala de Ibson, que marcou três gols, além de Kléberson, que teve sua melhor atuação com a camisa do Flamengo, o rubro-negro goleou o Palmeiras por 5 a 2, no Maracanã. Logo aos dois minutos de jogo o pentacampeão mundial cruzou com perfeição para o segundo pau, onde Marcelinho Paraíba fechava. O atacante pegou de primeira e fuzilou o goleiro Marcos. O Palmeiras não se entregou e empatou 10 minutos depois, com Alex Mineiro cobrando pênalti infantilmente cometido por Jailton.

Aí começou a festa de Ibson. O meia desempatou o jogo aos 20, aproveitando cochilo da lenta defesa alviverde. No segundo tempo, com menos sol na moleira, cresceu o futebol do time, enquanto o Palmeiras parou. Aos 10 minutos Kléberson fez grande jogada e deu um passe açucarado para Ibson, que bateu de primeira, no ângulo. O Palmeiras ainda encostou aos 15, em outra falha da defesa, que deixou Kleber cabeçear sem marcação. Mas 4 minutos depois, o gol mais bonito da rodada: Ibson tabelou com Kleberson dentro da área e finalizou de letra. Mais 5 minutos, num contra-ataque mortal, Obina lançou Ibson, que cruzou. A bola sobrou para Fabio Luciano cruzar na cabeça de Kléberson, coroando a atuação do melhor em campo.

A partir daí, muita festa aos gritos de "créu" e "olé" no Maracanã, que recebeu o maior público da rodada (mais de 63 mil presentes). Com o resultado, o Flamengo pulou para terceiro, com 63 pontos, mandando o Palmeiras para fora do G4, com 2 pontos a menos.


No Morumbi, o São Paulo não deu chance pro azar e despachou o desesperado Figueirense. O Tricolor Paulista fez 3 a 1, com gols de Borges (2) e Hugo. Cleiton Xavier descontou. O São Paulo fez 2 a 0 com facilidade e parecia que iria golear. Mas o time caiu de produção e levou pressão, que resultou num gol dos visitantes. Mas quando o Figueira era melhor, o líder do campeonato (68 pontos) encaixou um contra-ataque mortal e Joílson cruzou para Hugo matar a partida. O São Paulo tem mais de 60% de chances de conquistar o hexacampeonato brasileiro.

Já o Grêmio fez seu dever de casa. Venceu o Coritiba por 2 a 1 no Olímpico e não deixou o São Paulo abrir vantagem. Tcheco e Heverton (na verdade o gol foi de Alê, contra) marcaram para os gaúchos, enquanto o argentino Ariel diminuiu aos 46 do segundo tempo.

A próxima rodada traz confrontos dos líderes fora de casa. O São Paulo tem um jogo perigosíssimo contra o Vasco, que luta para não cair, em São Januário. O Grêmio vai a Salvador enfrentar o Vitória, enquanto Cruzeiro e Flamengo fazem o principal jogo da rodada no Mineirão. Se o Grêmio vencer, pode dar um importantíssimo passo rumo ao título, pois não será nada demais um tropeço são-paulino. Wagner Mancini, demitido sem critério pelo Grêmio no primeiro semestre, poderá tirar as chances de título do seu ex-clube.

Já o Flamengo precisa vencer as três partidas restantes e torcer para São Paulo perder uma e empatar outra (Vasco fora e Fluminense em casa, seria mais plausível, pois ambos lutam contra o rebaixamento), além de torcer por pelo menos um empate do Grêmio (a partida contra o Vitória tem alguma chance). A tarefa é inglória, quase mágica, mas ainda não é impossível. Mas acho pouco provável que o São Paulo tropece em 2 de 3 jogos, logo o time invicto há 14 rodadas. Para os supersticiosos, uma lembrança: na campanha do pentacampeonato brasileiro, em 1992, o Flamengo se classificou para a final do Campeonato Brasileiro graças a uma vitória do Vasco sobre o São Paulo, em São Januário.

Veja os gols da trigésima-quinta rodada:

Parabéns, Flamengo!


Há exatos 113 anos "seis jovens remadores fundam um Grupo de Regatas". Apesar das comemorações se darem no dia 15, por causa do feriado, a verdadeira fundação do Clube de Regatas do Flamengo aconteceu em 17 de novembro de 1895.

Para comemorar a data eu poderia ficar aqui até o ano que vem falando do Flamengo, contando sua grandeza, suas glórias, seus heróis. Sua Torcida. Assim mesmo, com T maiúsculo. Mas não vou fazer isso. Separei algumas citações feitas por personalidades e ilustres desconhecidos, para tentar passar uma pequena noção do que é o Flamengo. Notem que muitos deles sequer são torcedores do clube. Divirtam-se.

"Se Euclides da Cunha fosse vivo teria preferido o Flamengo a Canudos para contar a história do povo brasileiro."

"Para qualquer um a camisa vale tanto como uma gravata. Não para o Flamengo. Para o rubro-negro a camisa é tudo! Já tem acontecido várias vezes o seguinte: quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável."

"...Até que, um dia, houve uma dissidência no Fluminense. Eu gostaria de saber que gesto, ou palavra, ou ódio deflagrou a crise. Imagino bate-bocas homicidas. E não sei quantos Tricolores saíram para fundar o Flamengo. Hoje, nos grandes jogos, o Estádio Mário Filho é inundado pela multidão rubro negra. O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Eis o que eu pergunto: - Os gatos pingados que se reuniram, numa salinha imaginavam as potencialidades que estavam liberando?..."

"O Flamengo tornou-se uma força da natureza e, repito, o Flamengo venta, chove, troveja, relampeja. Cada brasileiro, vivo ou morto, já foi Flamengo por um instante, por um dia."

"Todo brasileiro é um pouco rubro-negro. A alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda ou mais dilacerada, ou mais santa, só sei que é diferente."
Nelson Rodrigues, escritor e maior personalidade tricolor


"Amo o Flamengo como se fosse um pedaço da terra onde nasci".
José Lins do Rêgo, escritor paraibano, autor de "Menino de Engenho" e ex-diretor do Flamengo (nos bons tempos)


"Nenhum convite de Hollywood, portanto, impediria Ari Barroso de acompanhar a campanha do Flamengo em 1944 (...) Os brasileiros que o acompanhavam nos EUA ficaram impressionados com a sua reação a um convite formulado PESSOALMENTE por Walt Disney para que assumisse a direção musical da Disney Produtions (...) Ari pediu 24h para dar a resposta - um incisivo não. "Why?", perguntou espantado Disney. E Ari respondeu naquele seu inglês incorreto: "BECAUSE 'DON'T HAVE' FLAMENGO HERE."
Sérgio Cabral, trecho de "No tempo de Ari Barroso"


"Há no mundo, cinco ou seis clubes míticos: Barcelona, Benfica, Milan, Boca Juniors e o Flamengo."
Manuel José, ex-técnico do Benfica


"O Flamengo é uma instituição nacional tão forte e perene quanto a Igreja, o Exército e a Academia Brasileira de Letras."
Edilberto Coutinho, escritor


"Ser Flamengo é ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram(...) É comungar a humildade com o rei eterno de cada um."
Arthur da Távola, ex-senador e jornalista, torcedor do Fluminense


"Quando Jayme estava muito doente e dizia que não podia largar a Charanga, eu não compreendia. Hoje eu entendo, se o Flamengo morresse , eu morreria junto."
Laura, viúva do criador da Charanga Rubro-Negra, Jayme de Carvalho


"Flamengo não é somente um clube, uma agremiação esportiva. O Flamengo é uma religião, uma seita, um credo, com sua bíblia e seus profetas maiores e menores. O Flamengo é um amor, uma devoção, uma eterna comunhão de sentimentos. Por ele muitos deram a vida, alienaram a liberdade, destruíram amizades, arruinaram lares, com homicídios e suicídios. O Flamengo dá febre, dá meningite, da cirrose hepática, dá neurose, dá exaltação de vida e de morte. O Flamengo é uma alucinação. Deveria ser feita uma Lei Federal que obrigasse o Flamengo a jogar em todo Brasil, toda semana e ganhar sempre. Quando o Flamengo vence, há mais amor nos morros, mais doçura nos lares, mais vibração nas ruas, a vida canta, os ânimos se roboram, o homem trabalha mais e melhor, os filhos ganham presentes. Há beijos nas praças e nos jardins, porque a alma está em paz,está feliz. O Flamengo não pode perder, não deve perder. Sua derrota frustra, entristece, humilha e abate. A saúde pública, a higiene nacional exigem que o Flamengo vença, para bem de todos , para felicidade geral, para o bem-estar nacional." Trecho de uma carta do Sr. Ex°. Dr. Juiz de Direito Eliezer Rosa, apaixonado torcedor do América, dirigida ao Jurisconsulto João Antero de Carvalho


"...Mas sempre existiu uma coisa que me deixa perambulando entre o mistério e o pânico. Aliás, não é "coisa" coisa nenhuma. É metafísica. É o Sobrenatural de que tratava Nélson Rodrigues. É perturbante. É aquela massa uniforme pulando do outro lado. 23 minutos, 1x3, e eles não paravam de pular; ninguém saía do seu aperto; ninguém ia embora. Eles nunca vão embora. Eles nunca arredam o pé. Eles não se sentam, não param de gritar. Eles não sossegam. Me perseguem, me sufocam, me habitam os pesadelos e me causam pânico. Quando eu olho para o outro lado é isso que eu sinto. Eles acreditam mais do que os outros. Mais do que eu e todos os outros juntos.E disso, meus caros, eu tenho que reconhecer, chega dá medo. Eles jogam com 12. E jogar com 12 deveria ser proibido. Deixar seus ingênuos meninos andando de um lado para o outro, desfilando o seu repertório de categoria e classe, só porque vestem um manto, como eles costumam se referir, foi uma imprudência. E esse foi mais um Fla X Flu para a história. Dentro do táxi, uma frase de uma criança de sete anos ficou estalada no meu tímpano: "Papai, eu tenho nojo deles". - Eu também tenho filho... É só o que posso dizer hoje. Mas se não fossem eles essa mágica não existiria."
Claudio Lampert, torcedor tricolor


"O Flamengo, do passado e do presente, do futuro e da eternidade, tem um compromisso com a história. Sua força inegável na comunicação com a massa... Sua vocação invejável de unir ricos e pobres em torno de seus triunfos... A presença de suas cores nas fotos que simbolizam os fatos marcantes da sociedade brasileira... Tudo isso, e haveria mais, transcende linhas que margeiam campos, quadras e raias. E talvez até justifique tanto o amor e a paixão de sua torcida, quanto o desprezo e a torpeza dos adversários.(...) Neste momento festivo e marcante da história de um clube como o Flamengo, não há mesmo como deixar de agradecer sua existência, enaltecer sua história e reverenciar sua gente com um afetuoso parabéns."
Gilmar Ferreira, jornalista do Extra

sábado, 15 de novembro de 2008

Nenhum invicto mais na NBA

A semana acabou com os dois últimos invictos da temporada da NBA. O Atlanta Hawks, último time a perder na Conferência Leste, caiu em Boston na quarta-feira, em um jogaço definido literalmente no último segundo. O ala Marvin Williams colocou o Hawks dois pontos na frente com uma bola de três faltando 7 segundos que congelou o TD Banknorth Garden. O técnico do Boston Celtics pediu tempo e armou a jogada. Ray Allen bateu o lateral para Kevin Garnett, que fez um corta-luz para tirar Joe Johnson da cola de Paul Pierce. Este recebeu a bola e matou o jogo num jump shot certeiro, com o cronômetro mostrando 0:00:00. The Truth fala demais, mas joga muito também. Vale lembrar que o Atlanta estava desfalcado de Josh Smith. Estivesse completo e talvez vencesse o jogo. O Boston acabou batendo o monstro criado pelo próprio Celtics no playoff passado.

O Hawks parece que gostou de perder. Ontem foi novamente derrotado pelo fraco New Jersey Nets (3-5, 13º) sofrendo incríveis 42 pontos no último quarto. A campanha do Atlanta agora está em 6-2, na terceira colocação da Conferência Leste.

O outro invicto que caiu na semana foi o favorito ao título Los Angeles Lakers. O time californiano teve uma semana complicadíssima, onde enfrentou o complicado Houston Rockets (5-4, 6º), pegou o Dallas Mavericks (2-7, 12º) de Dirk Nowitzki na terça, visitou o candidatíssimo a finalista de conferência New Orleans Hornets (5-3, 3º) de Chris Paul na quarta e recebeu a sempre pedra no sapato e forte candidato a vencer a Conferência Leste Detroit Pistons de Allen Iverson na sexta. Rockets, Mavs e Hornets foram facilmente batidos, apesar da tentativa de recuperação do New Orleans no último período.

Mas existe uma pedra no caminho do Lakers que se chama Detroit Pistons. Mesmo jogando no Staples Center, o time da Motor Town não tomou conhecimento do poderoso adversário. Entrou no último período vencendo por 15 pontos e administrou a diferença. Rasheed Wallace fez 25 pontos e catou 13 rebotes, enquanto Allen Iverson guardou mais 25 pontos no balaio californiano. O cestinha da partida foi Kobe Bryant, com 29 pontos. Apesar disso, o craque teve um péssimo aproveitamento de arremessos de quadra, acertando apenas 12 em 30 tentativas.


O Lakers ainda é o líder da Conferência Oeste (7-1), com o melhor aproveitamento da Liga (87,5%). O Pistons cravou 7-2 e é o quarto no Leste, que teve como grande destaque o Cleveland Cavaliers. O time do craque LeBron James e do brasileiro Anderson Varejão vem de 6 vitórias consecutivas e, com 7-2, é o vice-líder da conferência. James foi o craque da semana, depois de fazer 41 pontos três vezes em quatro jogos. Lidera a liga em pontos por partida (28,9) e é o sexto em assistências (7,3).

Os Brasileiros

Sem dúvida (e infelizmente) o acontecimento mais importante da semana dos brasileiros foi a morte da mãe do armador Leandrinho. Ele, que já não havia feito a pré-temporada para cuidar da mãe, viajou para o Brasil para acompanhar o enterro. Em quadra, ele participou do jogo-luta de quarta, entre o Phoenix Suns (7-3, 4º na conferência) e o Houston Rockets (5-4 e 6º). Veja o vídeo no final deste post. Fica aqui os pêsames e a solidariedade para que Leandrinho consiga superar o triste momento o quanto antes.

Já o Denver Nuggets (5-4, 7º) de Nenê teve uma semana instável. Venceu o fraco Memphis Grizzlies (3-7, 11º) no domingo, quando o pivê brasileiro fez seu terceiro double-double da temporada: 18 pontos e 12 rebotes em 38:17min em quadra. Nenê fez o que quis contra Marc Gasol, apontado por alguns como o "verdadeiro Gasol". O pivô espanhol só acertou uma cesta e só a fez quando Nenê estava descansando. Neste jogo, um lance um tanto engraçado: o armador Kyle Lowry, com 1,83m, resolveu encarar Nenê e seus 2,11m. Levou um toco humilhante pra casa.

Depois o time bateu o também fraco Charlotte Bobcats (3-5, 14º), candidato a saco de pancada da Liga. Perdeu o confronto de brasileiros para Varejão e os Cavs. Mas encerrou a semana vencendo o atual campeão Celtics, em Boston, com Nenê marcando 14 pontos e roubando 5 bolas. O brasileiro lidera a NBA em porcentagem de acerto de arremessos (64,8%).

Feito da Semana

O superpivô Dwight Howard, do Orlando Magic (6-3, 5º), aprontou mais uma das suas. No jogo contra o Oklahoma City Thunder (1-8, 15º), D12 cravou um triple-double espetacular: marcou 30 pontos, pegou 19 rebotes e deu escandalosos 10 tocos. Desde Hakeem Olajuwon em 1987 que um jogador não faz pelo menos 30 pontos, 15 rebotes e 10 tocos num jogo. O monstrinho lidera a liga em rebotes por jogo (14,8), tocos (impressionantes 4,1) e é o nono maior pontuador por jogo (23,2). Sem dúvida justifica o apelido de Superman.

Lances da Semana

Nesta semana separei dois lances interessantes. O primeiro, um arremesso de três de Kobe Bryant na partida contra o New Orleans. O Hornets vinha tentando diminuir a diferença no último período, mas Kobe acabou com a festa com um tiro desmoralizante de fora, com o tempo de posse de bola zerado.



O segundo vídeo nem é um lance de jogo, na verdade é um belo Shaq-Attaq na briga do jogo Phoenix x Houston. A sutileza de O'Neal é hilária, o pivozão faz um strike, derrubando vários jogadores como se fossem pinos de boliche. Vale lembrar que são jogadores da NBA, gente forte e grande. Ele não empurrou juvenis brasileiros...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A Seleção do Muricy. A minha. E a sua?


O técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, esteve na segunda passada no programa "Bem, Amigos", do Sportv. Como sempre não fugiu de nenhuma pergunta, respondeu a tudo que lhe perguntaram. Mostrou porque é o melhor técnico do Brasil, porque é antenado com tudo, porque sabe ver o jogo como poucos. E porque é muito competitivo. Não saiu no ar a parte mais interessante da conversa, mas que agora foi divulgada pelo Renato Maurício Prado e Alberto Helena Junior, que estavam no programa. Muricy, pelo que se diz na imprensa, cotadíssimo para assumir a Seleção Brasileira no lugar de Dunga nesta virada de temporada, escalou o time que mandaria a campo caso fosse técnico da Seleção Brasileira. E mandou os seguintes jogadores:

Julio Cesar, Maicon, Lucio, Miranda e Juan (Flamengo); Hernanes, Ramires, Kaka e Alex (Internacional); Robinho e Luis Fabiano. Disse ainda que escalaria o Ronaldinho Gaúcho se estivesse em forma, no lugar do Alex.

Interessantíssima esta escalação. Primeiro porque começa com o Júlio César. Logo o técnico do São Paulo não levaria o Rogério Ceni, que ainda é apontado por muita gente da imprensa como quem deveria ser titular da seleção. Nunca achei o Rogério em condições de ser titular da seleção, atualmente menos ainda. Para mim sempre teve pelo menos um goleiro melhor do que ele. A distância hoje do Julio Cesar para os demais goleiros brasileiros é imensa. O goleiro da Internazionale é titular indiscutível.

Mas o mais bacana não é o goleiro. Muita gente diz que o Muricy gosta de três zagueiros. Mas ele escalou somente dois. Na verdade, o Muricy gosta de time competitivo. No São Paulo, pelo que ele tem nas mãos, precisa de três zagueiros. E os resultados mostram que ele está certo, às vésperas de conquistar o terceiro brasileiro consecutivo. No meio-campo, a maior diferença: Ramires e Hernanes nos lugares de Gilberto Silva e Josué. Quase óbvio, não? Tem que ser muito tosco para escalar (ou convocar) Gilberto Silva e Josué. Muricy não tem nada de tosco.

O técnico ainda justificou a escalação de Maicon muito bem. Disse ele que, num time com dois volantes pequenos e leves, somados a um lateral que apóia muito como o Juan, seria necessário ter um lateral direito forte fisicamente, que possa dar conta do amparo defensivo quando este time se debandasse para o ataque. Muita gente defende o Leo Moura na lateral direita. Concordo com Muricy neste ponto. Entre os dois laterais do Flamengo, Juan é mais novo e mais incisivo.

Se eu fosse o técnico da seleção, mandaria quase o mesmo time do Muricy, mas com o Lucas no lugar do Ramires e o Juan (Roma) no do Miranda. Mas Juan, Miranda e Thiago Silva estão em níveis muito próximos, qualquer um que entrar dá conta do lado do Lucio. Mantenho o capitão porque não escalaria dois zagueiros técnicos ao mesmo tempo. Acho que, historicamente, isso não dá muito certo, assim como escalar dois homens de área ao mesmo tempo no ataque, como Parreira fez com Ronaldo e Adriano. Com Ronaldinho Gaúcho e Adriano em forma, os escalaria nos lugares de Alex e Luís Fabiano.

E você, quem escalaria se estivesse no lugar do Dunga? Conte aí na caixinha de comentários!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Torcedor de verdade!

Ontem, em uma entrevista coletiva em Barcelona (veja o vídeo no final do post), o tenista espanhol Rafael Nadal confirmou o que toda a Espanha e os fãs de tênis do mundo inteiro temiam: ele está fora da final da Copa Davis, marcada para o fim de semana de 21 a 23 de novembro, em Mar Del Plata, na Argentina, por conta de uma contusão no joelho, que também o deixou de fora da Tennis Masters Cup, em andamento na cidade chinesa de Shangai. Seria um desfecho de temporada mágico para um ano idem, onde o espanhol bateu Roger Federer na final de Wimbledon, conquistou a medalha de ouro olímpica e assumiu o primeiro lugar do ranking mundial.

A notícia foi recebida com felicidade pelo capitão da Argentina, Alberto Mancini, assim como boa parte dos argentinos, como seria comum. Mas nem todos os hermanos gostaram de saber disso. Um argentino chamado Julián Baena criou uma página na internet chamada Quiero ganarle a Nadal.

Baena escreve uma carta e faz um apelo ao Comitê Organizador da Copa Davis: que a final seja adiada pelo tempo necessário de recuperação de Nadal. Diz ele em seu texto: "Escutei que muitos, incluindo Luli Mancini, falaram que era uma boa notícia. Para mim não. Para mim é uma péssima notícia. Imagino que para muitos de vocês também. Nunca ganhamos a Saladeira de Prata, há anos que somos candidatos, e não tem coisa mais linda que ficar na história ganhando na final do número 1 do mundo.".

Ao ler a carta, imediatamente concordei com o cara e veio-me à cabeça a final da Copa do Mundo de 2002. Assim que ficou definido que Brasil e Alemanha, as maiores potências do futebol, se enfrentariam pela primeira vez na história das Copas, restou em mim uma ponta de melancolia: o craque alemão Michael Ballack não jogaria, suspenso com dois amarelos. Pensei na hora: "Esperei a vida toda para ver esta final e o craque dos caras não vai jogar? Sacanagem...".

No site, Baena disponibiliza um abaixo-assinado para anexar a uma carta que será enviada ao Comitê Organizador (também disponível no site). Fiz questão de assinar e, através deste post, chamar todos os amigos que gostam de tênis a fazer o mesmo. E pedir que vocês chamem seus amigos. Não acredito que a campanha surta o resultado desejado, mas são atitudes como esta que tornam o Esporte algo tão apaixonante.

A Argentina escolheu piso de carpete coberto para a final. Este tipo de quadra, especialidade do argentino David Nalbandian, é o terror da Armada Espanhola. Com Rafael Nadal em ação, eu acreditava em um grande confronto, decidido no quinto jogo a favor da Argentina. Sem o número 1, provavelmente acredito numa varrida portenha. Inclusive a saída de Nadal me ferrou: desde 28 de outubro já havia escrito e programado para a véspera um post sobre a final da Davis, mesmo sem as convocações oficiais. Mas a ausência de Nadal torna a publicação praticamente inútil. Vou ter que reescrever mais para a frente.


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Panorama da Champions League

A UEFA Champions League já completou a quarta rodada da primeira fase. Faltando duas rodadas para o fim da fase de grupos, alguns palpites já cairam por terra (meus, inclusive). Algumas zebras, alguns times ressurgindo das cinzas, alguns favoritos patinando...

Já no grupo A dei o primeiro mole. Diferente do que previ, o Chelsea não está passeando no grupo. É o líder (7 pontos), deve passar mesmo em primeiro, mas já andou dando moles. Perdeu para a Roma (segundo, com 6 pontos) e empatou toscamente com o Cluj. O time da terra do Drácula inclusive aprontou a maior zebra da competição até aqui, ao bater a Roma por 2 a 1 em pleno Stadio Olimpico. Apesar do Bordeaux estar empatado em pontos com a Roma, mantenho meus palpites de classificados.

O grupo B está fazendo a alegria das casas de apostas. A Internazionale lidera, com 8 pontos e três de vantagem para o segundo. Mas o Werder Bremen, favorito à segunda vaga, vem pagando mico. É o último, com 3 empates e uma derrota. O surpreendente Anorthosis, do Chipre, time do brasileiro Sávio (ex-Flamengo) é o segundo (5 pontos), seguido pelo grego Panathinaikos, com 4. O Bremen ainda encara o Anorthosis fora e tenta a sorte contra a Inter, em casa. Os cipriotas, depois de receberem o Bremen, vão à Atenas pegar o Panathinaikos. Vai acabar dando Inter e Anorthosis...

O grupo C já está decidido. Só falta agora Barcelona e Sporting decidirem quem passa em primeiro. Ambos venceram 3 vezes, mas o Barça tem um empate, contra uma derrota (para o Barça) do Sporting. O atacante brasileiro Liédson fez história: ao marcar o gol único da vitória do Sporting sobre o Shakhtar, na Ucrânia, ele se tornou o maior artilheiro da história do Sporting em competições internacionais. Já passou da hora de Liédson ter uma chance na seleção, já que jogadores como Jô e Afonso são testados. Corremos o risco de perder o jogador para a seleção portuguesa. A decisão do grupo está marcada para 26/11, quando os times se enfrentam em Lisboa. Mantenho os palpites iniciais.


O Grupo da Morte, até o momento, está confirmando minhas previsões. Atlético de Madrid e Liverpool dividem a liderança, com 8 pontos. Marseille e PSV têm 3. Só que não tem mais confronto direto. As duas partidas entre os líderes terminaram empatadas em 1 a 1. Acho que os dois vão se classificar, mas a posição de cada é imprevisível. Mantenho também aqui minhas previsões.

O Grupo E também está decidido, em relação aos classificados. Mas aqui cometi dois deslizes. O Villareal (segundo, com 8 pontos) vai se classificar, no lugar do Celtic (terceiro, com 2). Mas o Manchester United não está passando o rodo e não alcança mais aos 15 pontos que previ. No dia 25/11 o United vai à Espanha decidir o primeiro lugar e corre o risco de passar em segundo.

Outro grupo decidido é o F. E aqui também eu patinei. A Fiorentina ficou para trás (terceiro, com 3 pontos). Só um milagre classifica os italianos no lugar de Lyon ou Bayern, que dividem a liderança com 8 pontos e se enfrentam em Lyon na última rodada. Aqui deve dar Bayern em primeiro e Lyon em segundo.

Assim como o A, também está embolado o grupo G. E também vou cair do cavalo aqui. O Arsenal lidera com 8 pontos, mas o Porto, segundo com 6, queimou minha língua. O Fenerbahçe não se encontrou desde a saída de Zico. Luis Aragonés não vem tendo o mesmo sucesso que mostrou no comando da Fúria. Em quarto, com 2 pontos, os turcos estão eliminados. Correndo por fora, o Dinamo de Kiev tem um ponto a menos que os portugueses e torcem para o Porto não vencer em casa o Arsenal na última rodada.

E no grupo H, minhas desculpas formais ao amigo Pedro, torcedor da Juventus. Apesar de achar que os italianos se classificariam, não imaginava que o fariam com tanta facilidade. Nos comentários do post de previsões, falei que a Juve deveria agradecer aos céus se alcançasse a fase de quartas-de-final. Faz campanha fraca na Lega Calcio (sexto colocado, com 5 vitórias em 10 jogos), mas na Champions resolve jogar. Venceu o Real Madrid duas vezes, sendo que bateu no Santiago Bernabéu por 2 a 0 e já garantiu praticamente o primeiro lugar do grupo. Alessandro Del Piero está jogando muito bem novamente, fez os dois gols e comandou a vitória da Vecchia Signora em Madrid. E na última rodada os russos do Zenit ainda podem aprontar, se superar o Real fora de casa. Dificílimo, mas não impossível. Já não acho que a Juve morra antes das quartas.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

É tão difícil dar um jeito no esporte brasileiro?

Na sexta-feira, 07/11, o Comitê Olímpico Brasileiro se reuniu para decidir a distribuição da verba obtida pela Lei Agnello/Piva, que destina parte arrecadada pelas loterias às confederações e ao próprio COB. Os dirigentes aplicaram algo próximo à meritocracia: quem teve melhores desempenhos ganham mais; desempenhos fracos levam menos. Meritocracia na gestão empresarial é um fator benéfico, premia bons resultados. Mas no caso dos esportes...

A primeira conclusão óbvia que chego é que, deste modo, esportes menos "abastados" jamais deixarão de sê-lo, criando uma bola de neve e aumentando a desigualdade da distribuição de renda (100% Brasil, não?). Pelo que eu entendo, os recursos da lei deveriam ajudar as confederações. Por ajudar entenda-se prestar auxílio a quem precisa. Se o vôlei é o principal esporte brasileiro em termos de resultados (mais até que o futebol, que não entra neste bolo), então é o que mais vai receber da Lei. Mas tem um detalhe: o vôlei é um esporte que está na mídia o tempo inteiro. Por este motivo, além dos resultados, tem maior facilidade de captar recursos por conta própria, como a excelente parceria com o Banco do Brasil, por exemplo. Ou seja, não devia precisar de muito dinheiro retirado do erário.

Esportes como vôlei, judô, natação e atletismo estão o tempo inteiro na mídia. E não só na TV paga. A Rede Globo, por exemplo, transmite vários eventos destes esportes ao vivo. Seja Superliga, etapas da Copa do Mundo de Judô e Natação, Troféu Brasil, etapas do Grand Prix e Golden League de Atletismo, sem contar com Meia-Maratona do Rio, Maratona de São Paulo...

Em contrapartida, temos confederações como a de Remo, que vai ter corte de mais de R$200.000,00, que levou o presidente da CBR a anunciar que deverá demitir funcionários, para se adequar ao novo orçamento. E disse ainda que só deverá mandar equipe para Londres, em 2012, se tiver chance de medalha. Como isso é missão hercúlea, provavelmente não teremos remadores nos próximos Jogos Olímpicos. E se não disputaremos competições importantes, de alto nível internacional, não evoluiremos os atletas e o esporte e, assim sendo, menos dinheiro entrará na CBR. E a bola de neve está formada. Vale dizer que o remo é um dos esportes mais antigos e tradicionais do Brasil, mais antigo que o futebol. Flamengo e Vasco, por exemplo, nasceram do remo.

Um caso à parte é o basquete, esporte que vai sofrer o maior corte dentre as 28 confederações afiliadas ao COB. Bem feito! Castigo para um esporte que vem sendo pessimamente administrado. O basquete brasileiro está definhando nas mãos do presidente Gerasime Bozikis, o Grego. Aquele que era o segundo esporte brasileiro não vai aos Jogos Olímpicos há três edições no masculino, que já fora bicampeão mundial e duas vezes bronze olímpico. O feminino, campeão mundial em 94 e prata olímpico em 96, segue pelo mesmo caminho. A CBB vai receber menos verba do que as confederações de handebol, vela e motor e tênis de mesa. Vai receber o mesmo que a canoagem, ciclismo, hipismo e remo. E, obviamente, muito menos do que as de vôlei, ginástica, judô, desportos aquáticos e atletismo, esportes com tanta visibilidade quanto o basquete, mas com resultados infinitamente superiores.

O dinheiro saído dos cofres públicos devem ser muito bem administrados. Entregar dinheiro para quem não precisa tanto, em detrimento de outros mais necessitados, no meu entender, é o mesmo que pagar a Bolsa Família para mim em detrimento de uma família pobre de Várzea Branca, no interior do Piauí. O ciclo olímpico de Pequim foi o primeiro a ser completado com os recursos das leis (Agnelo/Piva e incentivo fiscal). E qual foi a evolução? A mesma quantidade de medalhas de Atlanta? Menos medalhas de ouro do que Atenas? Ou maior quantidade de finais disputada? Quantos projetos sociais (inclusive para descobrimento de novos talentos) as confederações e o próprio COB mantém? Estamos realmente fazendo bom uso da verba pública?

Veja o caso da Grã-Bretanha: em Atenas ficou em 32º lugar no quadro de medalhas (atrás do Brasil, inclusive). Implantaram uma lei parecida com a nossa. O resultado? Potência olímpica em Pequim. Passou de 15 medalhas em Atlanta para 40 em Pequim. O Brasil ganhou 15 em Atlanta, 12 em Sydney, 12 em Atenas e 15 em Pequim. Um avanço pífio.

Além da meritocracia, que não deve ser abolida, alguns pontos deveriam ser levados em consideração na hora de distribuir a renda. A facilidade de captar recursos externos, por exemplo. E para implantar a meritocracia, é necessário estabelecer quais metas devem ser alcançadas por cada confederação (como feito na Grã-Bretanha). E isso o COB não faz. Não adianta jogar o dinheiro ao léu. O COB não é exatamente exemplo de lisura e transparência. A última eleição, vencida pelo atual presidente, foi feita "às escuras", num fato combatido em todos os meios de imprensa. Além disso, o próprio COB recebe parte da verba oriunda das leis. E 30% (!!!) do que recebe é torrado em "manutenção interna". O próprio COB fiscaliza o uso do dinheiro. Na Grã-Bretanha, um órgão ligado ao Governo Federal, que existe exclusivamente para este fim (a UK Sports), faz a fiscalização.

O anúncio final da distribuição das verbas será feito no dia 3 de dezembro.