domingo, 31 de agosto de 2008

Superleague Formula começa com pódio rubro-negro


Começou hoje a disputa do campeonato que promete muitas emoções para quem gosta de velocidade: a Superleague Formula. A nova categoria, que mistura corrida com futebol, promete muita competitividade durante a temporada. Dezessete times de todo o mundo são representados por equipes de automobilismo, cada um com um piloto. Do Brasil temos o Flamengo (pilotado por Tuka Rocha) e o Corinthians (que será pilotado por Antonio Pizonia, ex-F-1, quando o calendário não bater com a Stock Car).

O formato do campeonato é muito interessante. Na primeira temporada serão seis etapas, cada uma com duas corridas. O grid de largada para a primeira será disputada num mata-mata. O resultado da primeira corrida indicará o grid da segunda, quando o vencedor largará em último, o segundo em penúltimo, até o lanterna, que será o próximo pole-position. Esta fórmula possibilitará muitas ultrapassagens e mostrará o real valor de cada piloto. As corridas duram uma hora. Após este tempo é dada a última volta, independente de quantas foram dadas até ali.

Os monopostos são idênticos, tanto em relação aos chassis, criados e montados pela americana Élan Motorsports Technologies, quanto aos motores, fabricados pela inglesa Menard Competition Technologies. Os bólidos são parecidos com os GP2, mas equipados com motor V12 de 750hp. Carros pesados com motores potentes proporcionarão mais chances de ultrapassagens durante as corridas.

E a temporada começou neste final de semana, em Donington Park, Inglaterra, debaixo de um temporal, para aumentar a emoção. Na sessão de treinos de sábado, o Beijing Guoan, da China, largou na pole. Os brasileiros tiveram problemas tanto na sessão de treinos como na primeira corrida do domingo, onde ambos abandonaram. O clube chinês liderou a primeira prova de ponta a ponta e venceu, seguido pelo Roma e Tottenham Hotspur. O Corinthians foi o 11º e o Flamengo, o 16º. O Milan, que também conta com um piloto que já passou pela F-1, foi o último. Os pilotos vão ao pódio com as camisas dos clubes que representam.

Mas, beneficiados pelo regulamento, os clubes brasileiros largaram nas posições principais na segunda etapa. E aí o Flamengo se deu bem. Beneficiado por um problema do Milan, Tuka Rocha saiu na frente e logo abriu vantagem. Mas a entrada do safety car atrapalhou, fazendo a vantagem desaparecer. O Sevilla então conseguiu ultrapassar o carro rubro-negro e venceu a prova, com o Flamengo em segundo. O Corinthians estava em quarto, mas teve que abandonar novamente, com problemas no motor. Muito emocionado, Tuka se cobriu com a bandeira do Flamengo na entrevista coletiva e subiu ao pódio com ela nas costas.

Por causa do resultado ruim na primeira corrida, o Flamengo é o sétimo na classificação geral, com 52 pontos. O líder é o Beijing Guoan, com 79 pontos, seguido pelo Liverpool, com 72. Todos recebem pontos, com o vencedor levando 50 e o 22º, um ponto. Além disso, cada etapa (duas corridas) valem . A próxima etapa está marcada para 21 de setembro, em Nürburgring, Alemanha.

O Arquibancada Digital depois das Olimpíadas

Uma semana de descanso, vamos em frente. Depois de 15 dias dormindo pouco, precisei dar um tempo para reorganizar meu relógio biológico e trazê-lo de volta para o Brasil. Infelizmente a maior festa do esporte mundial acabou, agora só em 2012. Ainda não esgotamos o assunto, mas para não ficar cansativo, vamos mudar um pouco de assunto.

Nos próximos dias teremos posts sobre o que está rolando no mundo pós-Olimpíadas. Os campeonatos Inglês e Italiano de futebol começaram (para mim, os mais interessantes da Europa). Vou publicar um post sobre cada, falando sobre as expectativas para os títulos, os craques, as contratações.

Ainda vou colocar um sobre a UEFA Champions League, o melhor campeonato de clubes do mundo, que movimentará o velho continente até a grande final, em 27 de maio de 2009, no Estádio Olímpico de Roma. Já saiu o sorteio dos grupos, depois de três rodadas preliminares, cheias de peladas com times do naipe de Artmedia Petržalka, da Eslováquia, NSÍ Runavík, das Ilhas Faroe e Rabotnički, da Macedônia. É hora de dar passagem para Manchester United, Internazionale, Chelsea, Real Madrid e companhia.

Além do futebol do velho mundo, vamos recuperar o andamento do Campeonato Brasileiro. Agora que a famigerada janela de transferências foi embora, vamos dar um passeio sobre quem saiu, quem chegou e como ficaram os times para a reta final do campeonato que vem se mostrando o mais interessante desde muitos anos.

Amanhã o Arquibancada Digital vai inaugurar a categoria de Automobilismo. Daqui a pouco começa a Formula Superleague, onde times de futebol são representados por monopostos. Flamengo e Corinthians representam o Brasil. A primeira etapa será em Donington Park, na Inglaterra. Teremos uma bateria às 7:00h e outra às 10:00h (horário de Brasília). O Sportv transmite ao vivo as duas.


Sábado que vem teremos o UFC 88, onde a grande luta (pelo menos para mim) será entre Rousimar "Toquinho" Palhares e Dan Henderson. Já estou em contagem regressiva para ver o Toquinho assombrar os americanos (e o Antonio) e finalizar o Hendo.

Sobre Olimpíadas, pretendo falar sobre as medalhas brasileiras, comparadas com as previsões do Blog, uma comparação entre os Jogos de 1996, 2004 e 2008, além de uma opinião sobre a situação dos esportes olímpicos e o que esperar para Londres-2012.

E ainda tem o US Open de tênis, que já está rolando, o primeiro Grand Slam com Rafael Nadal como número um do mundo, a Golden League de Atletismo, as Paraolimpíadas de Pequim, Campeonato Mundial de Futsal,
NBA, NFL... Temos assunto para muito tempo, espero que o pessoal continue prestigiando o Arquiba. Amanhã tem mais!

PS: Antonio, Daniel, Poito, fiquem à vontade...

domingo, 24 de agosto de 2008

Dream Team!


Antes que alguém venha falar, não estou comparando o time americano campeão olímpico em Pequim com a lendária equipe de Magic Johnson e Michael Jordan, campeã em 1992 e considerada a maior esquadra atlética da história do esporte. Estou apenas dando o devido valor ao nível do basquete praticado pelo time de Kobe Bryant e LeBron James em Pequim. E, principalmente, por terem tornado real o sonho da reconquista do mundo.

Defesa sufocante, contra-ataques em alta velocidade, tiros mortíferos do perímetro, posse de bola trabalhada, variação tática, um caminhão de ponte aérea, enterrada e outras jogadas de efeito. Ou seja, os americanos aplicaram de tudo que o basquete moderno pede, brilhantemente dirigido pela comissão técnica liderada pelo Coach K (Mike Krzyzewski), lenda do basquete universitário americano. E o resultado só podia ser a medalha de ouro.

Em que pese o fortíssimo time da Espanha, campeão mundial em 2006, com jogadores de nível elevadíssimo, como Rudy Fernandez, cestinha do time com 23 pontos e autor de uma enterrada monstruosa na cara de Dwight Howard, Juan Carlos Navarro, Jose Manuel Calderon, Marc Gasol e o garoto Ricky Rubio, de apenas 17 anos, mais jovem medalhista olímpico da história do basquete, que certamente vai fazer história. Todos liderados pelo grande Pau Gasol, companheiro de Kobe no Lakers. Dos citados, Pau Gasol é o mais velho, com 28 anos. Ou seja, os espanhóis ainda vão dar muito trabalho.

Diferente dos outros jogos, a Espanha deu trabalho para os EUA durante os 40 minutos. Conseguiu carregar os adversários de falta, o que fez com que Kobe precisasse jogar com mais cautela. Marcou apenas 7 pontos em 3 quartos. Mas no último período ele mostrou porque é o melhor jogador do mundo. Fez 13 pontos, chegou a 20 e liderou a vitória americana. Pois a Espanha chegou a diminuir a vantagem para apenas 2 pontos faltando menos de 4 minutos para o fim do jogo.

A Espanha jogou a partida da vida, os jogadores deram tudo na quadra e fizeram o que era possível para tentar vencer. O fato de entrarem em quadra sem pressão para ganhar é o primeiro passo para a vitória. Mas para derrotar um time americano fortíssimo, focado no título, com 12 jogadores capazes de manter o nível durante toda a partida, com Kobe Bryant e LeBron James do mesmo lado, fazer o possível às vezes é insuficiente.

Para quem gosta de basquete e não aguentou ficar acordado, recomendo que veja a repetição. Sem dúvida foi o grande jogo dos últimos anos. Os EUA recuperaram a hegemonia do basquete masculino.

sábado, 23 de agosto de 2008

24x19? 24x1!


Foram quatro anos ouvindo o famigerado 24x19. Até em ginásios eram exibidos cartazes lembrando a trágica semifinal olímpica contra a Rússia, em 2004. Durante este tempo, para piorar, um vice-campeonato mundial e um vice pan-americano. No post sobre as chances brasileiras em Pequim, falei que o Brasil era favorito ao ouro, desde que controlasse os nervos. Muita gente duvidou, falou que o time era amarelão e que só ganhava Grand Prix (lembra disso, Daniel?).

Então veio a resposta, em alto nível. Aquele 24x19 de outrora agora pode ser substituído por outro. Na estréia, 3x0 na Argélia, fácil. No segundo jogo, para espantar o fantasma, 3x0 categóricos na Rússia. Na seqüência foram derrotadas pelo mesmo placar a Sérvia, Cazaquistão e Itália. Nas quartas, outro 3x0 no Japão. Na semifinal, ginásio lotado contra as donas da casa, que defendiam o título olímpico de Atenas. Outro 3x0 inapelável. Contra os EUA, o primeiro set perdido, apenas para lembrar que aquilo era uma final olímpica. Mas o 3x1 garantiu o ouro inédito para o melhor time do mundo. Foram oito jogos, com 24 sets vencidos e apenas um cedido. O 24x19 perdeu o 9.

O técnico José Roberto Guimarães também entrou para a história com a conquista: é o único técnico campeão olímpico dirigindo homens (1992) e mulheres (2008), se não me engano, em qualquer esporte coletivo. Glória mais do que merecida para um cara super competente, que passou o diabo nestes quatro anos, segurou uma barra imensa, disse que mal tinha coragem de sair de casa em várias ocasiões. Agora, depois de ter participação decisiva no título inédito, deveria ser recebido num desfile em carro aberto.

Carol Gattaz e Romário

Para terminar, uma comparação. Estranha, todos devem estar pensando. Afinal, o que tem a ver Carol Gattaz com Romário? A central, cortada por Zé Roberto às vésperas dos Jogos (já tinha até viajado com a delegação), comentou vários jogos no Sportv, inclusive a final. Ficou emocionada, torceu e se sentiu também uma campeã olímpica, mesmo de tão longe. Defendeu o direito do técnico de preteri-la, por mais que não tivesse concordado. Foi homenageada no pódio, quando a Thaisa levantou um cartaz dizendo que ela e Joyce (outra cortada) também eram ouro. Foi lembrada com carinho por todas as jogadoras nas entrevistas.

O Baixinho também viveu um momento como o da Carol. Foi cortado da Copa de 98. Chorou na hora de sair. Comentou os jogos pela Globo. Não vou ser leviano de dizer que torceu contra, mas acho que foi isso mesmo que aconteceu. Tentou colocar o país contra o Zagallo e, principalmente, contra o Zico, técnico e coordenador da seleção na época, culminando com os patéticos desenhos nas portas dos banheiros de um bar que o craque abrira logo depois da Copa. O resultado final daquilo todos lembram...

Antonio, contei esta história para mostrar que cortes acontecem. Infelizmente existem limite de participantes. Os médicos vetaram um jogador, o técnico e o coordenador não correram o risco de manter um jogador que poderia até atrapalhar, caso entrasse em campo sem condições. E o Zico sabe exatamente o que é isso, pois não esquece da Copa de 86, quando ele próprio disse que não tinha condições de ser convocado, mas Telê o levou e ainda o mandou bater um pênalti ainda frio, quando tinha acabado de entrar em campo.

Então, meu camarada iraquiano, abra seu coração pro Zico ;)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Um centímetro para a História!


Ela já foi pega num exame anti-doping há cinco anos, ficou dois afastada do esporte, chegou a abandonar a carreira, sofreu muito. Mas a vida deu-lhe a chance de se redimir e dar a volta por cima. E por um centímetro, ela não perdeu a oportunidade. Hoje, Maurren Maggi tornou-se a primeira brasileira campeã olímpica no atletismo. Marcou 7,04m no salto em distância, bateu a russa Tatiana Lebedeva por apenas um mísero centímetro e colocou seu nome na eternidade. A primeira brasileira a ganhar um ouro individual.

Logo no primeiro salto, Maurren alcançou a marca. Fez o que Jadel Gregório deveria ter feito na final do salto triplo: barbarizou logo na primeira tentativa, mostrou para as adversárias que não estava ali a passeio. Estava para voar. E ganhar. Mas não foi tão fácil. Lebedeva, no último salto, pousou próxima à marca de 7 metros. Suspense. O resultado veio logo: 7,03m, medalha de ouro para Maurren por apenas um centímetro.

Os Jogos Olímpicos, em particular, e o esporte, de modo geral, mais uma vez nos mostram casos de superação. Maurren deixa uma lição para todos nós. Errar é humano. Aproveitar a oportunidade de se redimir e dar a volta por cima constrói o verdadeiro vencedor.


E pros reclamões de plantão, passamos o Zimbábue e Azerbaijão no famigerado quadro de medalhas. Já temos 12 medalhas, a segunda melhor marca da História. Ainda falta os dois vôleis de quadra, que já garantiram pelo menos duas pratas, mas acho que vêm dois ouros, pra chegar a 14. Podemos ainda torcer pela Natalia Falavigna, hoje, no Taekwondo, além do Marilson Santos e Franck Caldeira na maratona, domingo, encerrando os Jogos. Aí os Jogos de Pequim podem entrar para a história como a maior participação brasileira em todos os tempos em Olimpíadas. Vou querer ver a cara dos reclamões...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

The Lightning Bolt!

Depois de assombrar o mundo na final dos 100 metros rasos, o jamaicano Usain Bolt voltou a sacodir o Ninho do Pássaro. Venceu os 200 metros rasos, sua especialidade, com mais uma quebra de recorde mundial. Mas desta vez foi um recorde daqueles: durava desde 1996, quando Michael Johnson quebrou a marca em Atlanta, que vinha desde 1979. Ou seja, em 30 anos, é a terceira vez que o recorde dos 200 metros é baixado. O Relâmpago baixou a marca de Johnson em dois centésimos, cravando 19s30.

Para termos idéia do quão incrível foi a performance de Usain Bolt em Pequim, basta dizer que as lendas americanas Carl Lewis, maior medalhista olímpico do atletismo, em 1984, e Jesse Owens, o homem que desafiou Adolf Hitler, em 1936 estão na lista dos homens que venceram os 100 e os 200 metros na mesma edição dos Jogos Olímpicos.

Cabe dizer que Usain Bolt sequer chegou em sua plenitude física e técnica. Precisa aprimorar sua largada, principalmente nos 100m, onde este momento pode decidir a prova. Com 22 anos, ainda vai atingir o ápice físico. E se já fez o que fez agora, imaginem no Mundial de 2009, 2011 e principalmente em Londres-2012, onde deverá atingir todos os seus auges...

A pergunta que fica é: para onde Usain Bolt vai jogar os recordes mundiais destas distâncias? Se olharmos o que fez Michael Johnson em 96, baixando o recorde mundial de Pietro Mennea de 19s72 para 19s32, podemos imaginar que Bolt torne-se o primeiro homem a quebrar a inacreditável barreira dos 18s. E o limite de 9s60 nos 100 metros, antes imaginado inatingível, está bem próximo de ser superado.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Respeito é bom...


A musa russa Yelena Isinbaeva não precisava mais se levantar para competir. A medalha de ouro mais óbvia do atletismo nas Olimpíadas de 2008 já estava garantida. Mas cutucaram o vespeiro...

A americana Jennifer Stuczynski deu uma polêmica declaração antes da final: “Estou aqui para causar danos e chutar um traseiro russo”, usando aquela expressão arrogante típica em alguns americanos. O problema é que Isinbaeva não é surda e é fluente no inglês. Stuczynski saltou 4,80m, ficando na primeira posição. Isinbaeva, que que estava cochilando (isso mesmo!) num canto do estádio, esperou todas as competidoras encerrarem seus saltos para começar o show.

Na primeira tentativa, superou com facilidade a marca de 4,70m, já deixando para trás a maioria das adversárias. Na segunda, cravou 4,85m, ficando em primeiro lugar. Neste momento, apenas Stuczynski estava no páreo. A americana então colocou o sarrafo a 4,90m. Errou as três tentativas e garantiu a medalha de ouro para Isinbaeva. Mas a russa não se deu por satisfeita.

Com o título garantido e todas as adversárias já tendo esgotado todos os saltos, Isinbaeva já podia ir embora. Mas ainda faltava o show. Saltou então 4,95m e quebrou o recorde olímpico, que era dela mesma, conseguido em 2004. A esta altura, todas as competições no Ninho do Pássaro já tinham terminado e as atenções dos 91.000 torcedores presentes viraram apenas para a russa. Assim então ela ordenou que o sarrafo fosse colocado em 5,05m, para que o recorde mundial fosse quebrado. Na terceira tentativa, Yelena conseguiu melhorar a marca pela 24a vez na carreira, para delírio do público, que veio abaixo no estádio.

No final, Isinbaeva respondeu à altura de uma campeã: “Não sou surda e fiquei indignada com o que ela (Jennifer Stuczynski) disse. Queria mostrar quem é a melhor. Ela tem que me respeitar e saber qual é o seu lugar. Agora já sabe.”.

Isso sim é pressão


Quando mistura-se esporte com política, não podemos esperar boa coisa. A História cansou de nos mostrar. Quando trata-se da política de um país controverso como a China, então...

Pelo menos há um mês dos Jogos já corria pelo mundo a informação que Xiang não estaria bem fisicamente. Os chineses esconderam a real situação do atleta, esconderam o próprio atleta, para preservar o duelo contra o cubano Daryon Robles, que batera o recorde mundial do chinês. Até que bilhões de pessoas puderam testemunhar ao vivo o drama do campeão olímpico dos 110m com barreiras em Atenas.

Xiang é, disparado, o maior ídolo do esporte chinês da atualidade. Yao Ming é mais conhecido no ocidente, porque joga na NBA, mas dentro da China só dá Xiang. O ouro inédito no atletismo conseguido em 2004 o transformou na estrela maior da delegação que foi preparada para tirar dos americanos o domínio no quadro de medalhas. Nenhum chinês imaginava uma medalha de Yao Ming. Nenhum chinês imaginava algo menor que o ouro de Liu Xiang, principal garoto-propaganda dos anfitriões nas Olimpíadas. A vitória improvável de Atenas serviu para a China mostrar ao mundo que algo diferente estava sendo preparado, que as medalhas douradas não mais ficariam restritas às tradicionais no badminton, tênis de mesa, saltos ornamentais e ginástica.

E o absurdo começou aí. Carregando a responsabilidade de levar um bilhão e trezentos milhões de corações nas costas, não deram a Xiang “direito” de se machucar. O presidente chinês chegou ao cúmulo a dizer que, se ele não conseguisse o bi olímpico, nada do que fizera até então teria valor.

Debaixo de uma pressão que nem Michael Phelps sofreu na busca dos oito ouros, Xiang entrou no Ninho do Pássaro para disputar sua eliminatória. Todos os olhos e câmeras apontavam para ele. Chegou mancando. Demorou para vestir a camiseta de corrida. Inquieto, era visível que algo não estava bem. Quando alinhou no bloco de partida, a expressão de dor em qualquer movimento era de partir o coração de quem via. O garoto se preparou para largar, quase chorando. Não havia uma posição que ele ficasse sem sentir uma dor insuportável. Era óbvio que não tinha condições de estar ali. Quando um adversário queimou a largada, Xiang não teve forças para chegar sequer à primeira barreira. Mal conseguia tocar no chão com o pé direito. Deu a volta e foi embora, sem esperar a relargada. Junto com ele, em estado de choque, os quase 90.000 torcedores presentes ao estádio, que estavam lá para ver o ídolo maior. O Ninho ficou praticamente deserto. O grande duelo com Robles, disputa mais aguardada dos Jogos Olímpicos de 2008, não vai acontecer.

Xiang foi para a lateral do estádio, sentou no chão, cobriu a cabeça com a camiseta e chorou, numa cena comovente. Na sala de imprensa, seu treinador também se debulhava em lágrimas. Disse que não sabia da gravidade da lesão do pupilo. O lendário fundista etíope Haile Gebrselassie disse que a lesão de Xiang estava na cabeça e não no pé. Xiang negou, dizendo que o problema piorara depois de ter feito 12s90 há duas semanas, tempo este que provavelmente lhe daria medalha na final olímpica.

Não descarto a hipótese de Xiang ter sentido a óbvia e imensa pressão. Não duvido que Gebrselassie esteja certo. Assim como não duvido que a pressão em cima dele possa inclusive ter prejudicado a recuperação. Esconderam (literalmente) o atleta por semanas, provavelmente para não deixar que o vissem mancando às vésperas dos Jogos. Nem o povo chinês, nem a imprensa, sabiam onde e como estava Liu Xiang.

O governo chinês conta com o sucesso da organização dos Jogos e, principalmente, dos resultados de seus atletas, para mostrar ao mundo que o seu sistema de governo atual é viável e bom para o país (seria algo parecido com o que foi visto nos Jogos de Berlim, em 1936?). Não economizaram esforços, gastaram os tubos. E expuseram um ídolo à condição dramática e lamentável que Liu Xiang ficou no Estádio Olímpico.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Atrás do Azerbaijão...

Por Antonio Oliveira

Os bronzes do Brasil estão bombando na blogosfera e não pelo orgulho de termos 6 atletas brasileiros entre os 3 maiores do mundo. Pelo contrário, na internet se lê uma série de gozações desmerecendo as 5 medalhas de terceiro lugar e reclamando que, no quadro de medalhas, não estamos acima de certos países sem muito prestígio.

Pois hoje, dia 18 de agosto de 2008, estamos atrás de Etiópia, Mongólia e Cazaquistão no quadro de medalhas olímpico.

Por outro lado, vi poucos comentando que estamos à frente da Índia com seu bilhão de habitantes. E contra o argumento que a Índia é pobre, estamos também melhor que Suécia e Áustria. Além desses, estamos também acima de lugares com uma renda per capita bem maior que a nossa: Arábia Saudita, Bahrein, Hong Kong, Israel e Kuait.

Mas a nossa realidade não é nem da pobre e superpopulosa Índia, nem de países com renda per capita monstro e poucos habitantes. Temos que nos comparar com outros países latino-americanos. Nesse grupo só Cuba e Jamaica estão à frente do Brasil. O primeiro representa a forte tradição do antigo segundo mundo e o outro só está no quadro por seus corredores fenomenais. Todos os outros países latino-americanos têm menos medalhas que o Brasil e, até agora, nenhum ganhou ouro.

O brasileiro acusa o argentino de ser o latino que deseja se passar por europeu. Porém, sofremos de síndrome similar em ano olímpico.

Mas considerando nossa realidade, creio que só podemos nos orgulhar de nossos atletas e medalhas. Ao contrário de muitos países que se destacam em apenas um ou dois esportes, vários atletas brasileiros chegaram às finais e semis em algumas das modalidades mais competitivas: ginástica artística, natação, atletismo, futebo, vôlei, judô, entre outras.

Porém, não nos orgulhamos desses feitos alcançados por pouquíssimos países. O foco é estarmos atrás da Zimbábue.

Penso que é justamente esse tipo de mentalidade que atrapalha o desenvolvimento desportivo brasileiro. Suponhamos que o investimento no esporte fosse ainda menor e que não tivéssemos chegado a nenhuma das finais que chegamos. Mas também suponhamos a graça de um Michael Phelps nascer em terra tupiniquim e o milagre ainda maior desse brasileiro hipotético ter recebido toda atenção, treinamento e suporte para desenvolver seu potencial. Fosse esse o caso, a maioria dos brasileiros estaríam comemorando o oitavo lugar no quadro de medalhas pouco se importando com o contexto que gerou essa conquista.

Se você tem alguma dúvida, o futebol é a comprovação de que estou certo. Toda corrupção e incompetência que rodeia esse esporte no Brasil são esquecidos quando ganhamos uma taça. Da mesma forma, esse mesmo esporte aborta toda tentativa de trabalho sério a longo prazo que não proporcione esse tipo de catarse ao torcedor.

Mas creio que o esporte no Brasil não melhorará enquanto o torcedor brasileiro não se desvencilhar dessa ânsia de aliviar todas suas frustrações através do grito de campeão e da consequente vilanização de quem não consegue lhe proporcionar esse prazer. Precisamos reconhecer que o esporte olímpico brasileiro está apenas começando a engatinhar. Assim, ao mesmo tempo que devemos pegar-lhe a mão para ajudá-lo a andar, devemos fazê-lo com muito encorajamento e reconhecimento de progresso.

Por isso parabenizo todos os atletas brasileiros que chegaram a finais nessas Olimpíadas, especialmente aqueles que me deram a alegria de comemorar uma tão suada medalha de bronze. O Brasil é bronze, sim! Comemoremos!

sábado, 16 de agosto de 2008

Cielo, Phelps e Londres 2012

Por Antonio Oliveira

O Alexandre escreveu bastante e bem sobre essa grandiosa conquista da natação brasileira. Mas depois de toda emoção, no último dia de piscina, já passei a sonhar com um brasileiro vencendo a prova mais tradicional da natação e o maior nadador de todos os tempos daqui a quatro anos.

Mas isso é possível? Só podemos especular... E como comentário esportivo nada é além de muita especulação, vou despejar minha dose de suposições nesse primeiro post.

Phelps e 100 Livre
Em Pequim, o Phelps dissipou qualquer dúvida e se firmou como o maior nadador da História. Porém, ao contrário de Mark Spitz e Alexander Popov, ele não ganhou ouro na provavelmente mais competitiva prova da natação: os 100 metros Nado Livre.

O fenômeno americano já declarou que não competirá mais nos 400m Medley. Em relação a treinamento, essa decisão é importante pois possibilita um direcionamento exclusivo para as provas mais rápidas. Pode ser até que, com a idade avançada de Aaron Piersol, Phelps venha a nadar os 100m costas. Mais importante, significa que Phelps deve melhorar ainda mais no 100m Livre e pode optar por competir nessa prova em Londres.

Imbatível nos 100 Livre?
Supondo que minhas conjecturas estejam corretas, pode ser que Phelps alcance o status que um dia foi de Popov e domine completamente os 100m Livre. Porém, acho improvável, haja vista que nos 100m Borboleta, prova técnica e fisiologicamente muito parecida com os 100m Livre, o domínio de Phelps não é tão massacrante.

César Cielo Filho
Assim, podemos sonhar com outra medalha de ouro no pescoço de César em Londres, mas dessa vez nadando os tão cobiçados 100m Livre. Pode parecer um sonho precipitado, mas olhando os prováveis concorrentes do brasileiro, vê-se que é baseado em uma projeção realista.

Entre os mais rápidos nadadores da História nessa prova, aqueles que estarão com menos de 30 anos em 2012, seus respectivos anos de nascimento e melhores tempos são:

Eamon Sullivan (1985) - 47'05"
Alain Bernard (1983) - 47'20"
Michael Phelps (1985) - 47'51"
César Cielo (1987) - 47'67"
Amaury Leveaux (1985) - 47'76"

Apesar de três outros atletas terem um tempo melhor que o brasileiro, ele é o mais novo entre todos os atletas que já conseguiram nadar abaixo de 48 segundos. Portanto, podemos especular que será também aquele que mais evoluirá. Além disso, o brasileiro demonstrou uma característica psicológica fundamental para feitos grandiosos: o nível de stress para que ele alcance performance máxima é altíssimo. Em outras palavra, ele melhora sob fortíssima pressão.

Isto posto, logicamente em quatro anos muito pode acontecer. Cielo pode se perder em tantas coisas que virão lhe desviar o foco ou lhe baixar a motivação nos treinos. Uma contusão, uma perda, uma derrota sofrida também poderia tirar o brasileiro da briga. Sem contar na possibilidade do surgimento de outro jovem fenômeno.

De qualquer forma, deixo essa provocação cheio de esperança, talvez estimulando mais gente a acompanhar a evolução da natação brasileira até 2012.

Tá difícil de mudar de assunto

Espero que os amigos leitores do Arquibancada Digital não fiquem chateados ou de saco cheio. Mas é que está difícil deixar de falar sobre o feito histórico de Cesar Augusto Cielo Filho nas piscinas do Cubo d'Água. Agora, mais de 15 horas depois da final, depois de dormir (mal), depois de ficar sabendo de vários fatos de bastidores, acho que estou em condições de escrever sem ser tomado pela emoção de um ex-nadador que um dia sonhou em se tornar campeão olímpico.

Cesar acordou cedo, às 6h. Sua final estava marcada para às 12:39h. Para entrar na pilha, ouviu algumas vezes a música tema do reality show The Contender, composição do genial alemão Hans Zimmer. Já tive o prazer de ouvir esta música algumas vezes enquanto corria e sei muito bem do imenso poder motivacional que ela propicia. Coisa de gênio mesmo.

Já no Parque Aquático, touca e óculos nas mãos, aguardando a hora de nadar, Cielo encontra ninguém menos que Michael Phelps, que estava voltando da cerimônia de premiação de sua sétima conquista de Pequim, a mais dura de todas, dos 100m borboleta. Phelps virou para Cesar e, apontando para a medalha no peito, falou: "Tá vendo isso aqui? Foi conquistada por um centésimo! Você pode ganhar por um centésimo ou pode perder por um centésimo. Vai lá e bate na parede!". Que injeção de ânimo fantástica, depois de ouvir a música!

Cesar encaminhou-se para a piscina, levando nas costas o peso de uma nação tão carente de medalhas e de um esporte que buscava seu primeiro ouro em 68 anos de tentativas olímpicas. Desde o bronze de Okimoto nos 1500m livre em Helsinque até o revezamento 4x100 livre em Sidney, foram 10 medalhas na natação, nenhuma de ouro. Seria muito peso para um garoto de 21 anos. Mas não para Cesar Cielo.

Na raia 4, dono do melhor tempo na semifinal, recorde olímpico superado duas vezes, Cielo estava concentradíssimo. Foi o único que não colocou a mão na água, ritual comum entre os nadadores antes de uma prova. Subiu no bloco de partida, encheu os pulmões de ar, ouviu o tiro e partiu.

Sem olhar para os lados, sem respirar nenhuma vez, expressão de fúria com os dentes intrincados captados pela câmera subaquática, depois de dar 34 braçadas e cerca de 200 pernadas, vinte e um segundos e trinta centésimos depois, Cesar Cielo entra para a história olímpica brasileira.

Como Phelps havia pedido, ele foi lá e bateu na parede antes dos outros. O tempo entre Cesar e o oitavo lugar, o sueco Stefan Nystrand, foi de menos de 50 centésimos. Um piscar de olhos separou o primeiro do último lugar. Cielo levantou a cabeça, olhou seu nome ao lado do número 1 no placar. E começou a chorar pela primeira vez. Socou a água, afundou, sentou na raia. Saiu da piscina tremendo, uma tonelada mais leve. Encontrou o repórter Marcos Uchoa e, ainda atordoado, chorou novamente.

Minutos depois, já recomposto, foi para a cerimônia de premiação entre os felizes franceses Amaury Leveaux (prata) e Alain Bernard (bronze). Subiu ao pódio, recebeu a medalha de ouro e o famoso pescotapa do seu Coaracy Nunes, presidente da CBDA. Tentou cantar o hino, mas não resistiu ao terceiro verso e começou a chorar de novo, vendo a Bandeira Nacional subir. Mas desta vez o choro foi copioso. O público começou a aplaudir, ainda durante o hino, algo nunca feito. Bernard, com um sorriso imenso, tentava acalmar Cesar (foto acima), numa cena linda. Cesar não conseguia parar de chorar (a esta altura, nem eu) e o público vinha abaixo. Nem Michael Phelps havia tido uma comemoração tão efusiva assim.

Cesar saiu do pódio, foi para as tradicionais fotos. Lá visualizou seus familiares e jogou o buquê de flores para a mãe. Começou a chorar novamente. Chamou os companheiros da equipe brasileira, que invadiram a área de competição, quebrando o protocolo olímpico. Cercaram Cielo e, aos gritos de Cesão, começaram a pular e a abraçar o novo herói.

Gustavo Borges, extremamente emocionado na mesa de transmissão da Globo, pediu permissão para Galvão Bueno para se retirar e descer para tirar uma foto do campeão. Antes da autorização, Gustavo já estava pulando as cadeiras, tropeçando em meio mundo. Conseguiu chegar a Cesar, onde protagonizaram uma das cenas mais bonitas. Um longo abraço depois, abriu espaço, sacou sua câmera e tirou uma foto do novo ídolo, que acabara de superar os resultados do próprio Gustavo. No Brasil, Fernando Scherer não tinha palavras para descrever o que acontecera, apenas dizia que Cesar era o maior nadador brasileiro de todos os tempos. Dois exemplos de ex-atletas e ídolos, que devem ser seguidos por todos.

Nas finais dos 100 metros, Cesar disse ao técnico que iria ganhar uma medalha. Depois pensou consigo: "Que isso, eu tô na raia 8, tô viajando!". Não estava. Cielo ganhou o bronze naquela prova e falou na saída: "Agora eu vou ganhar os 50!". Dito e feito. Podemos dizer que Cielo é o Romário das piscinas, aquele que prometeu o improvável, foi lá e fez. E que não venham os espíritos de porco dizer que isso é marra ou arrogância. Isso é auto-confiança, preparação e talento.

Agora Cesão está livre. Vai poder curtir as conquistas. Vai poder rever a família, depois de tanto tempo sozinho nos EUA. E vai poder voltar a pegar mulher, depois de se comprometer com o técnico a não arrumar nada até depois dos Jogos Olímpicos. A irmã dele falou que a pretendente tem que ser alta, magra, bonita. Tem que gostar de comer, não ficar enchendo o saco, não ser estressada. E tem que passar pelos crivos da própria irmã e da mãe dele. É pouco?

Vai lá, Cesão! Enfileira geral, pega todas! E obrigado por tudo!

O caminho para o ouro inédito


Como já havia dito antes, não acho muito legal a disputa do futebol nas Olimpíadas. Mas como o esporte está lá, não posso ignorá-lo completamente, ainda mais por ser a grande paixão nacional (e minha também).

No post sobre as chances brasileiras em Pequim, falei que o Brasil estava "com cara de 94/2002". Saiu do Brasil desacreditado, com muita gente fazendo chacota e querendo a cabeça do técnico Dunga. E, não só em 94 ou em 2002, como em outras oportunidades, nestas horas o futebol brasileiro se supera e consegue o improvável.
Como não vi nenhum jogo até agora por inteiro, seria cretinice dizer que A ou B está jogando bem, que C ou D estão decepcionando. Não faço este tipo de coisa. Mas tem algo que pode ser discutido sem entrar neste mérito. É o caminho para a medalha de ouro.

Imaginem que o Brasil pode ser campeão depois de eliminar Camarões (tarefa já cumprida, num jogo onde o pau comeu, do pescoço pra baixo era canela), algoz do Brasil em Sidney, quando eliminaram nas mesmas quartas-de-finais a seleção de Ronaldinho Gaúcho, que naquela ocasião fizera o gol de empate aos 46 do segundo tempo, levando o jogo para a morte súbita, onde o Brasil perdeu, com dois a mais em campo.

Depois, na semifinal de terça, a chance de passar pelos hermanos argentinos, o que sempre é bom e motivacional para o Brasil. Apesar do último jogo (empate no Mineirão pelas Eliminatórias), a Argentina tem se mostrado uma freguesa daquelas. Perdeu as finais da Copa América de 2004 e 2007, além da final da Copa das Confederações. As duas últimas com direito a chocolate na final. Sem contar outro sacode no início da era Dunga, em Londres. Mas como retrospecto não ganha jogo, será uma batalha duríssima, como sempre.

E o grand finale viria depois. Sim, apesar de ter a chance de eliminar os maiores rivais, o ápice seria numa eventual final contra a Nigéria (que disputará a semifinal contra a Bélgica), algoz do Brasil nos Jogos de Atlanta, em 1996. Depois de 24 anos sem conquistar um título de expressão, o Brasil ganhou o tetra nos EUA e encheu-se de moral. Montou um time forte (obviamente nos limites olímpicos), que contava com Bebeto, Rivaldo, Aldair, Dida, Sávio e Ronaldo, que ainda não era o Fenômeno, mas já dera os primeiros passos de uma carreira genial. Foram para Atlanta com a missão quase garantida de conquistar o único título que falta ao futebol brasileiro. Só que ninguém ganha de véspera, nem Michael Phelps. Na semifinal contra Nigéria, embalada depois de enfiar 8 em Gana, o Brasil rapidamente abriu 3 a 1. Mas um tal de Nwankwo Kanu estragou a festa, fez dois gols e levou o jogo para a prorrogação, onde fez mais um, da miserável morte súbita, e mandou a seleção disputar a medalha de bronze (que foi conquistada, por sinal).

Depois de exorcizar Camarões, temos a chance de fazer a Argentina pagar pelo empate no Mineirão e a Nigéria de ter protagonizado um dos capítulos mais duros do futebol brasileiro, para conquistar o histórico e esperado ouro com a alma lavada. Aí sim o COI e a FIFA poderiam seguir com o plano de transformar o futebol nos Jogos Olímpicos no Mundial Sub-20.

De que planeta é Usain Bolt?


Incrível! Extraordinário! Memorável! Excessivo! Anormal! Notável! Faltam adjetivos na língua portuguesa para descrever o que o jamaicano Usain Bolt fez na final dos 100 metros rasos dos Jogos Olímpicos de Pequim. O Golden Boy do atletismo mundial, que vai completar 22 anos daqui a cinco dias, simplesmente pulverizou o recorde mundial, humilhou os concorrentes e confirmou com sobras a condição de homem mais rápido do planeta.

Quem não viu, por favor vá ver, porque não sei se tenho capacidade de colocar em palavras o que aconteceu na pista do Ninho do Pássaro. Desde o aquecimento e fase de concentração pré-prova, era nítido que algo de diferente estava para acontecer. Todos os concorrentes estavam sérios, concentrados. Alguns nitidamente nervosos ou preocupados, como Asafa Powell. Mas Bolt estava tranqüilo, brincava com a platéia, só faltou dançar no bloco de partida. Tranqüilo como nunca vi ninguém ficar numa final olímpica desta prova. E olha que vi todas ao vivo desde 1984, prestando atenção na TV em todos os detalhes. Usain, de sapatilhas douradas com travas de ouro, largou pior que os adversários. Talvez estivesse dando uma chance para os pobres mortais. Quando viu que ninguém aproveitou, tratou de acelerar. E com 20 metros percorridos, já era o virtual vencedor. Mas faltava o algo mais.

Então o Menino Prodígio deu um show nos 20 metros finais. Olhou para os lados, não viu ninguém nem perto dele, relaxou, abriu os braços, bateu no peito e cruzou a linha de chegada, absoluto e em ritmo mais lento, como mostra a foto acima, tirada antes de Bolt cruzar a linha final, ainda dentro da prova. O resultado? A assombrosa marca de 9s69, 3 centésimos abaixo do recorde mundial, que já era dele mesmo. Parece pouco, mas é quase uma eternidade nesta prova tão rápida. Só faltou ele dar uma cambalhota na linha de chegada.

Para que se tenha idéia do feito de Usain, especialistas em fisiologia, motricidade e atletismo diziam que o limite humano nas atuais condições nesta prova seria de 9s63. Certamente vão rever agora este "limite". Bolt ficou 6 centésimos acima mesmo brincando na pista no quinto final da prova. Provavelmente teria quebrado a barreira inacreditável dos 9s60 se tivesse mantido o ritmo durante os 100 metros da disputa. Isso é absolutamente inacreditável. Pensei que eu iria morrer sem ver um corredor atingir 9s60. Hoje acredito que vou ver isso no máximo no Mundial de 2009. Ou em alguma etapa da Golden League que pague uma fortuna para Bolt fazê-lo.

E não custa lembrar que Usain Bolt é especialista nos 200 metros rasos, prova na qual foi o primeiro juvenil da história a correr abaixo de 20s. Antes de bater o recorde mundial, há poucos meses, sequer iria disputar os 100m em Pequim. Imaginem o que ele fará com o recorde mundial de Michael Johnson nos 200m...

No meio deste assombro, um dado interessantíssimo. Os EUA, sempre fortes nestas provas, eram "invasores" na festa caribenha. Dos oito finalistas, dois eram americanos (o medalha de bronze Walter Dix, com 9s99 e o último colocado Darvis Patton, com vergonhosos 10s03). O resto era de países da América Central: três da Jamaica (Bolt, Powell, que terminou em quinto com 9s95 e Michael Frater, sexto com 9s97), dois de Trinidad e Tobago (o medalha de prata Richard Thompson, com 9s89 e o sétimo Marc Burns, com 10s01) e um das Antilhas Holandesas (o quarto Churandy Martina, com 9s93).

Pra acabar de matar a gente

Vídeo do pódio do Cesar Cielo. A única vez que TODO o público do Cubo "desrespeitou" um hino nacional, começou a aplaudir o Cesar depois que ele começou a chorar no pódio. Depois, a invasão da equipe brasileira, quebrando o protocolo olímpico, para comemorar com o novo herói.

Mas o melhor de tudo foi ver o comportamento do Gustavo Borges. Ele era o maior nadador da história olímpica brasileira, com duas pratas e dois bronzes. Mas a reação dele mostrou que, além de grande ídolo, o Gustavo é um grande homem. O negócio foi tão bonito que até esquecemos do Galvão Bueno falando sem parar. O Gustavo mostrou que torce pro sucesso brasileiro, mesmo que isso signifique que alguém irá superá-lo. Aliás, o Gustavo já tinha feito isso no Pan, quando estava na competição de tênis de mesa no momento que o Hugo Hoyama se tornou o maior medalhista brasileiro em Pan-americano, desbancando o próprio Gustavo. Parecia que ele tava mais feliz que o próprio Hugo.

Valeu Gustavo! Valeu Cesão! Vocês ainda me matam do coração...


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

É OUROOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!


Depois de 68 anos de participações brasileiras em olimpíadas, com 10 medalhas conquistadas, Cesar Cielo levou apenas 21s30 para trazer a primeira medalha de ouro olímpica brasileira da história. Por dois centésimos o tempo de Cielo não foi suficiente para tirar o recorde mundial de Eamon Sullivan. Mas foi a segunda melhor marca de todos os tempos.

Quando uma prova de 50 metros é decidida com o público sabendo quem ganhou imediatamente, é porque o campeão foi incontestável. Normalmente em finais de grande porte de 50 metros, o vencedor não é percebido no olho, precisamos da ajuda da tecnologia para saber quem tocou primeiro na borda debaixo daquela água toda espalhada nas raias. Cesar dominou a prova desde a largada, colocou uma vantagem imensa para a distância (e o gabarito dos adversários) e bateu o recorde olímpico pela terceira vez, para não deixar dúvidas.


A comemoração do paulista de Santa Bárbara d'Oeste foi tocante. Poucas vezes na minha vida fiquei tão emocionado como hoje. Cesar chegou a Pequim confiante, dizendo que estava lá para ser campeão nos 50 metros. Fez mais, com o bronze nos 100 metros, nadando três vezes abaixo de 48s. Falou e fez.

Para o garoto de 21 anos, que abdicou de muita coisa na vida para poder treinar nos EUA, é um prêmio mais do que merecido. O técnico americano pediu inclusive que, na preparação para os Jogos Olímpicos, Cesar sequer saísse com alguma mulher, para não perder o foco. Mas como às vezes os fins justificam os meios, a medalha de ouro olímpica certamente recompensou tanto tempo na secura. Na entrevista após a prova, ainda molhado, Cesar disse que não mudaria nada do que fez para chegar ali. Aliás, agora dono de duas medalhas olímpicas e sendo o primeiro brasileiro campeão olímpico da natação brasileira, mulher é o que não vai faltar para ele.

E que este resultado histórico sirva para que as autoridades brasileiras tomem vergonha na cara e passem a dar a importância devida ao esporte. Para que um dia não seja mais preciso mandar nossos atletas treinarem no exterior, para conseguirem evoluir.

Para finalizar, peço desculpas pelo mau jeito, mas tive a natação fazendo parte da minha vida, quando treinava no Flamengo e torcia pelo Ricardo Prado, Rogério Romero, Gustavo Borges, Fernando Scherer. Hoje o Cesar conseguiu o meu sonho de infância/adolescência. As lágrimas desceram aqui, junto com as dele no alto do pódio lá do outro lado do mundo. E ainda acabei de descobrir que o Antonio, lá no Iraque, não pôde ver a prova por falta de eletricidade na cidade dele.

Véio, essa foi pra gente:

É OURO, PORRAAAAAAAAAA!!!!!!!!!!!

Chora, Ian Thorpe! Falta uma!

Domínio total nos 200m medley

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ouro e Recorde Mundial à vista!

O que uma medalha inesperada não faz com a confiança de um cara... Cesar Cielo continua impossível no Cubo d'Água! Bateu mais uma vez o recorde olímpico dos 50m livre, mas desta vez nenhum engraçadinho tomou a marca de volta. O garoto de Santa Bárbara d'Oeste vai pra final classificado em primeiro, vai nadar na raia 4 e ver o nome na lista de recordistas. O tempo de 21s34 ficou a apenas 8 centésimos de segundo atrás do recorde mundial, de posse atual do australiano Eamon Sullivan.

A final vai ser cascudíssima. Todos os oito competidores vão nadar em condições de ganhar a medalha de ouro. Roland Schoeman, Alain Bernard, Eamon Sullivan e Amaury Leveaux serão ossos duríssimos de roer (aliás, podem incluir na lista o Stefan Nystrand, Ashley Callus e Ben Wildman-Tobriner =] ). Mas acredito muito que no final das contas vai dar Brasil no alto do pódio, de preferência comemorando um tempo abaixo de 21s26, pro Brasil voltar a ter um recordista mundial de piscina longa, que não vemos desde Ricardo Prado.

O Michael Phelps da Ginástica?

A série Estrelas Olímpicas deveria ter sido finalizada antes dos Jogos Olímpicos começarem. Mas infelizmente não vivo do Arquibancada Digital e o tempo escasso impediu que eu tivesse fechando conforme desejara. Mas são ossos do ofício...

Este post então vai aproveitar para juntar dois assuntos. A estrela chinesa da ginástica artística Yang Wei conquistou hoje a medalha de ouro no individual geral masculino, ao marcar 94.575 pontos, dos quais 15.250 no solo, 15.275 no cavalo com alças, 16.625 nas argolas, 16.550 no salto, 16.100 na barra paralela e 14.775 na barra fixa. Para termos uma idéia, o vice-campeão, o japonês Kohei Uchimura, terminou com 91.975, com uma média de mais de 430 pontos a menos que o chinês por aparelho.

Wei já tinha sido o principal nome do título dos donos da casa na disputa por equipes, na terça-feira. Hoje deu mais uma prova do domínio no esporte. Mas vocês devem estar perguntando o motivo da comparação do título, certo? Se Wei não tem 11 medalhas de ouro olímpicas, por que compará-lo com Phelps?

Desde que o sistema de pontos da Ginástica mudou, Wei simplesmente venceu todas as competições que disputou, seja ela Copa do Mundo, Campeonato Mundial, Olimpíadas... Na competição por equipes, ele e seus companheiros foram os melhores em cinco dos seis aparelhos. Detentor de três medalhas de ouro olímpicas e uma de prata, Wei ainda tem a chance de papar mais três, nas finais individuais do cavalo com alça, argolas e salto. É ou não é uma comparação de respeito?

Hoje começa o Atletismo em Pequim

Ainda nem acabamos de curtir a farra de medalhas e recordes da natação e já vai começar o atletismo. Pra quem gosta, como eu, é mais um motivo de dormir tarde, acordar cedo e depois passar o dia sabe-se lá como. E o atletismo vem com uma grande característica: como é o esporte que mais distribui medalhas nas Olimpíadas, é a chance dos EUA passarem a China no quadro.

Teremos grandes duelos, nos mais diversos estilos. A maior delas, sem dúvida, está reservada para a prova mais nobre do atletismo, os 100 metros rasos, que aponta o homem mais rápido do mundo. E a disputa será intensa: o americano Tyson Gay, atual campeão mundial, medirá forças contra os jamaicanos Usain Bolt, recordista mundial com a incrível marca de 9s72, e Asafa Powell, antigo detentor da marca e que vai contar com a minha torcida. As eliminatórias já começam hoje: logo na primeira bateria teremos a presença de Bolt e do brasileiro Vicente Lenilson, às 22:45h (Brasília). Powell entra na pista na bateria seguinte, acompanhado de Kim Collins, da minúscula ilha de São Cristóvão e Nevis, que assombrou o mundo ao se tornar campeão mundial em 2003. Na quinta bateria teremos Tyson Gay. Duas baterias depois entra na pista o nigeriano naturalizado português Francis Obikwelu, atual vice-campeão olímpico. Outro favorito a estar na final é Derrick Atkins, das Bahamas, que estará na oitava bateria eliminatória.


Teremos também competições que não devem ter muita disputa, mas nem por isso devem ser ignoradas. É o caso do salto com vara feminino, onde somente uma hecatombe impede o bicampeonato olímpico da russa Yelena Isinbaeva. E com grandes chances de mais um recorde mundial.


E ainda teremos a grande estrela chinesa, Liu Xiang, atual campeão olímpico dos 110 metros com barreiras, primeiro ouro chinês no atletismo em Olimpíadas. Xiang vem de um período de contusões e provavelmente não estará no melhor de sua forma. Além disso, ele é de longe o atleta da casa que mais sofre pressão por resultados nos Jogos. É tão ídolo quanto Yao Ming, mas do gigante do basquete os chineses não esperam medalha de ouro. Como os EUA normalmente dominam o quadro de medalhas do atletismo, qualquer ouro para a China neste esporte será importantíssimo. Ainda mais um que já não será inédito.


As esperanças de medalha para o Brasil concentram-se nas provas de salto. Jadel Gregório deve disputar a medalha de ouro com o campeão mundial Nelson Évora, marfinense naturalizado português e o inglês Phillips Idowu, campeão mundial indoor. No Mundial de Osaka o português deixou o brasileiro com a medalha de prata. A esperança é que Jadel dê o troco no evento maior. Em 2008, ele não vem tendo resultados expressivos; seu melhor salto atingiu 17,28m. Mas, diferente de outros anos, preparou seu treinamento para atingir o ápice nos Jogos Olímpicos. Não custa lembrar que ele marcou 17,90m no Grand Prix de Belém do Pará, marca que lhe daria o ouro no Mundial, com muita facilidade. E certamente dará em Pequim.


A outra boa chance está nos pés de Maurren Maggi, no salto em distância. Ainda que tenha duas adversárias atualmente com mais condições, a russa Lyudmila Kolchanova (7,04m em 2008) e a portuguesa Naide Gomes (7,12m em 2008). Se Maurren repetir os 7,02m conseguidos na etapa americana do Grand Prix de 2008, dificilmente a medalha de bronze lhe escapará. E a esperança é que ela possa ir ainda melhor.

Cielo segue fazendo história!

Depois da inesperada medalha de bronze nos 100m livre conquistada pela manhã, Cesar Cielo não teve muito tempo para descansar e acabou aprontando mais uma em Pequim. Ainda com adrenalina alta nas veias, durante as eliminatórias dos 50m, sua especialidade, o brasileiro de 21 anos cravou 21s47 e simplesmente estabeleceu novo recorde olímpico da distância, que pertencia a Alexander Popov e durava desde Barcelona/92. A marca não durou muito, pois na bateria seguinte o francês Amaury Leveaux baixou o tempo para 21s46.

Com o feito, Cielo se classificou para a semifinal com o segundo melhor tempo das eliminatórias. O campeão dos 100m, Alain Bernard, foi o sétimo (21s78) e Eamon Sullivan, prata nos 100 e recordista mundial da prova (21s28), foi o oitavo com 21s79. Nicholas Santos foi outro brasileiro a se classificar, em décimo-primeiro, com a marca de 22s cravados.

Cielo saiu da piscina nos 100m totalmente pilhado, dizendo que traria o ouro na prova dele. Depois deste grande resultado, é bom ninguém duvidar.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

CIELO É BRONZE NOS 100 METROS LIVRE NA RAIA 8 DA SORTE!!!!!


Depois do Gustavo Borges nos 200m livre e do Fernando Scherer nos 50m livre em Atlanta, o Brasil voltou ao pódio olímpico individual. E assim como nas outras oportunidades, o brasileiro estava na raia 8, justamente o pior local, incomodado pelas marolas que vêm do meio da piscina. César Cielo controlou o ímpeto nos 50m iniciais (foi a pior parcial dele em Pequim), agüentou o ritmo nos 50 finais, queimou a língua da maioria, inclusive a minha, e garantiu a quarta medalha de bronze do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. De quebra ainda fez o grande tempo de 47s67, novo recorde sul-americano. Cielo mostra que é um legítimo herdeiro dos velocistas brasileiros. Este resultado dá uma moral imensa pro garoto (mais novo na final, com apenas 21 anos) tentar os 50m, que é a sua especialidade. Agora eu não duvido de mais nada. Esta medalha tira a pressão da nova geração brasileira, o que pode ajudar muito Thiago Pereira na final dos 200m medley e o Kaio Marcio nos 100m borboleta.

Ih, a prova teve medalha de ouro, né? E como todos torcemos, a decisão foi na batida da borda. E Alain Bernard mostrou ter uma força mental imensa. Depois de chorar muito a perda do revezamento e do recorde mundial, o francês dominou a segunda metade da prova e não deu chance pro azar novamente. Bateu o australiano Eamon Sullivan, que havia virado em primeiro nos 50 metros iniciais. Como previsto, o nível da semifinal foi mais forte e o tempo do ouro foi de 47s21 e da prata 47s36.

Jason Lezak novamente surpreendeu e dividiu a medalha de bronze com Cielo, ao marcar também 47s67. A chegada dos dois foi linda, pois estavam nas raias 7 e 8.

O Holandês Voador fez bonito também, apesar de não ter subido ao pódio. Hoogenband entrou para a história ao se tornar o primeiro homem a disputar quatro finais olímpicas consecutivas dos 100m livre.

Bora Cielooooo! Vamos pro ouro nos 50m!


Valeu Eduardo! O país ficou orgulhoso de você!

Eduardo,

Queria te agradecer pelos grandes momentos de emoção que você nos proporcionou. Quem ficou acordado vendo suas lutas foi dormir com uma certeza: estamos diante de um cara especial. Sua personalidade, disposição, seriedade, vontade e disciplina foram arrebatadoras.

A gente sabe que você é um Guerreiro. Que até o ano passado era faixa marrom, que seus pais precisaram pagar do próprio bolso pelo exame de faixa para que você pudesse competir como o Faixa Preta que você é.

Não se envergonhe pelo seu resultado, porque nós, torcedores, estamos orgulhosos, tanto quanto o bronze tivesse vindo. Foi lindo ver você partir para dentro dos caras. O uchi-mata que você encaixou no chinês foi daqueles de virar poster. O ippon no venezuelano foi magistral. A projeção que você deu no italiano, terceiro lugar no Mundial de 2007, foi arrebatador.

Não chore por não ter vencido o suíço, porque nós estamos sorrindo de orelha a orelha com suas atuações. O suíço é casca grossa, assim como você. Mas infelizmente só um podia vencer ali. Perder na bandeira, então, mostra que qualquer um poderia ter ido adiante que estaria justo.

Não peça desculpas por não tê-lo vencido, mas sim desculpe-me por não ter conseguido segurar o sono durante a luta contra o francês, onde meteram a mão em um yuko seu.

Você é um vencedor e vai trazer muito mais alegrias para todos nós, como trouxe ontem. E mais ainda, vai trazer muito mais alegrias para seu Sebastião e dona Edith, seus pais, que estão vibrando por ter um filho quadrifinalista olímpico. Você é um dos oito melhores médios do mundo e isso, num país que trata o esporte com tanto descaso, deve e tem que ser comemorado como se fosse uma Copa do Mundo.

Valeu, Eduardo. Se todos os demais brasileiros que entrarão em campo, quadra, tatame, piscina, pista ou estrada o fizerem com metade do seu caráter, disposição e talento, já teremos sido recompensados por passar madrugadas acordado torcendo por vocês.

Caras como você fazem este Blog existir, fazem a gente se apaixonar cada vez mais pelo esporte.

Eduardo Santos, obrigado por tudo!

Sullivan-Bernard Showdown!


Pelo menos na minha modesta opinião, a grande prova da natação está chegando! Hoje, às 23:49h, horário de Brasília, oito homens lutarão pela medalha de ouro dos 100 metros nado livre. E a briga será boa!

Dos oito, acredito que seis têm totais condições de conseguir pelo menos a medalha de bronze. Acredito que o sul-africano Lyndon Ferns e o brasileiro Cesar Cielo (infelizmente) só conseguirão a medalha de bronze se tudo der certo para eles e muito der errado para outros. Não por acaso foram os únicos que não nadaram na casa de 47 segundos na semifinal.

Mas a disputa pela medalha de ouro vai ser duríssima. O australiano Eamon Sullivan e o francês Alain Bernard têm tudo para travar um duelo histórico. Bernard chegou a Pequim como recordista mundial, com 47s50. Sullivan tomou a marca na final do revezamento 4x100m livres, quando cravou 47s24. Na primeira semifinal da prova individual, Bernard novamente tomou a marca, com 47s20. Mas na bateria seguinte o australiano marcou a incrível marca de 47s05.

Eamon Sullivan, na minha opinião, é um nadador, além de mais sólido, mais frio que Bernard. Isso ajuda a minimizar as chances de cometer erro, que numa prova como esta pode ser fatal. As condições psicológicas me parecem afetar mais Bernard do que Sullivan. O francês já demonstrou grande poder de recuperação ao bater o recorde na semifinal, após a grande decepção do revezamento. Mas também mostrou que pode ser abalado sob pressão, como a que Jason Lezak imprimiu na mesma prova, nos metros finais. O australiano, em contrapartida, parece-me mais estável.

Fora esta briga de cachorro grande, não podemos descartar o que Jason Lezak pode fazer. Acho que o ocorrido na final do revezamento foi obra de alguma entidade que baixou no sujeito, uma mistura de Johnny Weissmuller, Matt Biondi e Alexander Popov. Não acredito que uma atuação arrebatadora se repita na final de hoje, mas não sou louco de descartá-lo. Como me pareceu ter nadado a semifinal de freio de mão puxado (o que quase custou a vaga na final), Lezak pode entrar muito confiante na disputa.

Agora, por falar em entidade de nadadores aposentados, acho que a grande surpresa da final vai ser o Holandês Voador. Assim como o Popov em Sidney/2000, que chegou desacreditado, apesar de bicampeão olímpico, e papou a prata (ficando atrás apenas do Hoogenband), vou torcer muito para o Holandês repetir o feito. Apesar de saber que vai ser dificílimo.

Ah, como disse o amigo Tonholas, também não acho que a lendária marca de 46s segundos vá ser alcançada. Seria lindo ver um 46sxx no placar, mas acho que o ritmo da semifinal foi mais forte, como aconteceu em Atenas. Pelo menos vamos torcer para uma final decidida na batida.

Palpite do Blog para a chegada:

1º) Eamon Sullivan
2º) Pieter van den Hoogenband
3º) Alain Bernard
4º) Stefan Nystrand
5º) Jason Lezak
6º) Matt Targett
7º) Cesar Cielo
8º) Lyndon Ferns

4x200m livres destruídos!

Mais uma, agora nos 200m borboleta!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Preparem-se para a final!!!

Estão maltratando a pobre linha do recorde mundial em Pequim... Alain Bernard chegou às Olimpíadas como detentor do recorde mundial dos 100m livres, com 47s50. No revezamento de anteontem, Eamon Sullivan baixou para 47s24. Já nas semifinais de hoje...

O francês Alain Bernard mostrou que está totalmente recuperado da decepção do revezamento. Venceu sua bateria e baixou o recorde para 47s20. Mas comemorou por dois minutos: na semi seguinte, Eamon Sullivan retomou a marca, cravando inacreditáveis 47s05. A barreira dos 46 segundos nos 100 metros deve cair na final. Pensei que isso fosse levar alguns anos para acontecer...

E para alegria dos brasileiros, Cielo conseguiu a oitava vaga para a final. O bicampeão mundial, o italiano Filippo Magnini, não se classificou para a final.

O ponto alto da natação: 100m nado livre

Daqui a pouco, às 23:00h, dezesseis homens entrarão na piscina do Cubo D'água para decidir quem serão os oito candidatos à medalha de ouro mais nobre da natação mundial: os 100 metros nado livre olímpico. Depois da fantástica final do revezamento 4x100m livres, a espectativa para a prova individual é imensa. Agora com cada um por si, todos os monstros que barbarizaram no revezamento duelarão pela glória máxima da natação mundial.

Na primeira semifinal teremos Jonas Persson (Suécia, raia 1), Jason Lezak (o homem que escandalizou o revezamento, EUA, raia 2), Cesar Ciello (Brasil, raia 3), Stefan Nystrand (Suécia, raia 4), Alain Bernard (França, raia 5), Lyndon Ferns (África do Sul, raia 6), Fabien Gilot (França, raia 7) e Christian Galenda (Itália, raia 8).

Na outra semi duelarão Andrey Grechin (Rússia, raia 1), Filippo Magnini (Itália, raia 2), Pieter van den Hoogenband (Holanda, raia 3), Eamon Sullivan (Austrália, raia 4), Brent Hayden (Canadá, raia 5), Garrett Weber-Gale (EUA, raia 6), Matt Target (Austrália, raia 7) e Dominik Meichtry (Suíça, raia 8).

No tradicional Palpite do Blog, os oito finalistas serão (não está na ordem de chegada, até porque o importante é se classificar para a final): Lezak, Nystrand, Bernard, Magnini, Hoogenband, Sullivan, Hayden e Weber-Gale. Para encaixar um nono candidato, coloco o Cesar Ciello, principalmente se nadar abaixo de 48s.

Vai começar agora!

Arquibancada Digital atravessando o mundo

O Arquibancada Digital deu uma volta ao mundo foi parar no Oriente Médio. De lá vem o novo colaborador do Blog, Antonio Oliveira, o Tonholas, presidente do Três Tês F. C., do Hattrick.

Paulista, 28 anos, torcedor do São Paulo, ex-nadador (nadava no Corinthians!), grande conhecedor e apaixonado por esportes, o Tonholas vai colaborar com suas idéias aqui no nosso espaço. Ficou de postar sobre a Copa Ásia de Xadrez, conquistada pelo Iraque, que o fez vibrar como se fosse um Campeonato Brasileiro ganho pelo Tricolor Paulista.

Inicialmente ele vai dar contribuições de leve, uma vez por mês. Mas quem sabe ele não se empolga e diminui esta janela?

Seja bem-vindo, véio!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Enquanto isso, no Cubo D'água...


Nas arquibancadas do Cubo, o ex-nadador australiano Ian Thorpe vai secando. Na piscina, Michael Phelps vai triturando os recordes mundiais e enfileirando medalhas de ouro. Agora ele tirou o último recorde de Thorpe, o olímpico dos 200m livres, especialidade do australiano. De quebra, superou o próprio recorde mundial e tornou-se o primeiro homem a baixar a casa de 1:43min na distância, ao cravar 1min42s96 na final. E, para deixar Thorpe se mordendo ainda mais, igualou-se aos mitos Carl Lewis (quatro olimpíadas), Mark Spitz (duas), Paavo Nurmi (três) e Larissa Latynina (três) como os maiores ganhadores de medalhas de ouro olímpicas, com nove triunfos.

Phelps ainda vai nadar mais 5 provas em Pequim e terá 27 anos em Londres-2012. Para efeito de comparação, Jason Lezak ontem chocou o mundo aos 33. Provavelmente Phelps vai estabelecer uma marca dificílima de ser superada um dia.

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Foto: Globoesporte.com

Pintou o campeão?

Em tempos de Olimpíadas, o futebol acaba ficando um pouco de lado no interesse da maioria. Mas nem tanto. Com um olho no padre e outro na missa, o Arquibancada Digital fecha a conta do primeiro turno e prepara o terreno pra reta final do melhor Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos. E pra não deixar o grande amigo Grgr (-_-) de mãos abanando, até porque está feliz da vida: não gosta de Olimpíadas (como pode?) e vê seu time sobrar no Brasileiro.

Líder com cinco pontos de vantagem para o segundo lugar. Melhor ataque do campeonato, com 35 gols marcados. Melhor defesa, com apenas 12 gols sofridos, depois de montar um sistema defensivo duríssimo de ser suplantado. Invicto há dez jogos. E diferente de outros adversários, ao invés de se enfraquecer na janela de transferências, fortaleceu o time, principalmente com as entradas de Tcheco e Souza, que deram um toque de criatividade ao meio de campo. Além de tudo isso, é um dos poucos times do Brasil que realmente tem "camisa". O Grêmio encerra o primeiro turno sobrando na turma. Não tem um elenco de craques, mas tem um time acertado, muito bem arrumado, e um elenco homogêneo, importantíssimo para disputar um campeonato cascudo como o Brasileiro. Em todas as edições dos pontos corridos, o time que virou o turno em primeiro acabou campeão. Atualmente, na minha opinião, o único ponto fraco do time (teoricamente) é o técnico. Celso Roth não me inspira confiança e até hoje não mostrou ser capaz de agüentar um campeonato longo assim. Mas...

Quais seriam os times capazes de enfrentar o Grêmio e mudar o rumo do campeonato? O Cruzeiro tem um belo time, principalmente do meio pra frente. Mas a defesa é bem fraquinha. Além disso, é um time novo, que pode sentir a pressão na reta final. Não sei se vai agüentar o ritmo até o final.

O Palmeiras, a princípio, é o time que mais reúne condições de superar o Grêmio. Tem o melhor técnico do Brasil, tem grandes jogadores no elenco (novamente do meio pra frente, porque a defesa também é lamentável), mas precisa segurar um pouco a cabeça dos jogadores. Valdívia, Diego Souza, Denilson e principalmente Kleber são bons jogadores, mas normalmente são vistos perdendo a cabeça e prejudicando o time. A fraquíssima campanha fora de casa também vai ser um dificultador. Se quiser ser pentacampeão vai ter que passar a ganhar mais longe do Parque Antarctica, onde está invicto por sinal.

O São Paulo pra mim não vai chegar, salvo surpresa. O time é muito mais fraco do que nos anos anteriores. Quem depende de Hugo pra armar alguma coisa não pode esperar título. Se Miranda, Alex Silva e Hernanes não voltarem, vai ficar ainda mais complicado.

Vitória, Coritiba e Botafogo vão fazer bons papéis, devem terminar o campeonato entre os dez primeiros, mas não vão ter forças para tentar o título.

E o Flamengo é a maior incógnita do returno. Dez pontos atrás do Grêmio (já teve cinco na frente), com uma indigência ofensiva, de dar pena pro time outrora com melhor ataque do campeonato, se mantiver o atual time vai brigar, com muita sorte, pela quarta vaga na Libertadores. Mas o clube já acertou a contratação do Marcelinho Paraíba (ex-São Paulo, Grêmio e Seleção), que é um belo reforço pro nível brasileiro. Mas é pouco. Precisa ainda de pelo menos um atacante de respeito (pra mim precisa de dois), que está longe de ser o Josiel. Tem que se livrar do excesso de volantes no time (Jaílton e Cristian ao mesmo tempo é uma ofensa ao futebol). E precisa urgentemente se livrar da urucubaca que tem varrido o elenco. Se conseguir superar estas tarefas duríssimas, de preferência até antes da vigésima-primeira rodada, ainda terá tempo de arrancar atrás do Grêmio, porque a parte defensiva está relativamente controlada (tem a segunda melhor defesa).

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Já voltaremos às Olimpíadas. Ainda estou incrédulo com o revezamento de ontem. E acabei de ver o Phelps triturar mais um recorde mundial. Mas isso fica pra próxima.

Vídeo da incrível final do revezamento 4x100m livres

Não deixem de ver, várias vezes. Está narrado em chinês, mas está completo. Cada vez que vejo fico arrepiado novamente. A comemoração do Phelps é sinistra.

Como um recorde mundial é dizimado

O revezamento 4x100m livres masculino mostrou desempenhos fantásticos. Os seis primeiros times nadaram abaixo do recorde mundial. Mas vejam o incrível rendimento individual dos participantes. O recorde dos 100m livres, como eu disse no post abaixo, era de 47s50, estabelecido por Alain Bernard. Vejam o que fizeram os competidores do revezamento de hoje. O primeiro tempo foi o que cada um marcou. O que está entre parênteses foi o tempo de reação de cada um na partida. E o último foi o tempo ajustado se todos tivessem o mesmo tempo de reação, aproximado em 0.75s para facilitar:
  • Michael Phelps (EUA): 47s51 (0.75) 47s51
  • Christian Galenda (Itália): 47s49 (0.30) 47s94
  • Filippo Magnini (Itália): 47s27 (0.17) 47s85
  • Eamon Sullivan (Austrália): 47s24 (0.71) - novo recorde mundial
  • Matt Target (Austrália): 47s25 (0.29) 47s71
  • Stefan Nystrand (Suécia): 47s25 (0.17) 47s83
  • Fabien Gilot (França): 47s05 (0.16) 47s64
  • Garret Weber-Gale (EUA): 47s02 (0.06) 47s71
  • Alain Bernard (França): 46s73 (0.19) 47s29
  • Frederick Bousquet (França): 46s63 (0.08) 47s30
  • JASON LEZAK (EUA): 46s06 (0.04) 46s77 => ISSO FOI ANIMALESCO!!
O tempo pro recorde mundial só é contado aos que abrem o revezamento, pois estes partem após ouvir o tiro de largada. Os outros podem calcular o momento de largarem e ganham pelo menos 0.50s aí. Então, fazendo os ajustes, quatro nadadores teoricamente superaram a marca do Bernard, ele inclusive.

Imaginem o que vem por aí na disputa dos 100m livres individual... Além dos monstros acima, ainda vamos ter a presença do holandês Pieter van den Hoogenband, atual bicampeão olímpico dos 100m livres, que não disputou os 200m para se poupar para os 100m. Se o Cesar Ciello pegar uma final já vai ser de ótimo tamanho. Pegar uma medalha é quase milagre.

Inacreditável!!!!!! Jason Lezak salva Michael Phelps!


Equipes alinhadas para a final masculina do revezamento 4x100m livres. Austrália e principalmente a França vêm com times fortíssimos, loucos para impedir o sonho dourado de Michael Phelps. O recorde mundial dos 100m livres é de 47s50, estabelecido pelo francês Alain Bernard.

O australiano Eamon Sullivan, segundo melhor tempo da história nos 100m, abre o revezamento e baixa o recorde mundial para incríveis 47s24. Phelps, único não-especialista da prova e que havia nadado a semifinal dos 200m apenas uma hora antes, chega na cola, faz 47s51, marcando o melhor tempo da vida dele e o terceiro melhor da história, entregando o revezamento em segundo, na frente da França, que começou com Amaury Leveaux.

Garrett Weber-Gale manteve os EUA em segundo, Andrew Lauterstein manteve os australianos em primeiro e Fabien Gilot diminuiu a distância para a França. Todos nadaram abaixo de 48 segundos e vários abaixo do recorde antigo de 47s50.

Aí começou o inacreditável. O monstro Frederick Bousquet mostrou que valeu a pena não disputar as eliminatórias e se poupar para a final: cravou 46s6, tornando-se o primeiro homem a baixar a marca de 47 segundos. Ainda se aproveitou do fato de Cullen Jones ter nadado mal, fazendo o time americano cair para terceiro lugar. O australiano Ashley Callus nadou muito, mas não conseguiu superar o francês e deixou a Austrália em segundo.

Então os últimos nadadores caem na água para fechar o revezamento. A França, em primeiro, conta agora com Alain Bernard, melhor do mundo na distância, que também havia se poupado para a final. Pensei na hora: "Que vacilo, o Phelps não vai ganhar os oito ouros...". O sonho de Michael Phelps estava indo para o brejo logo na segunda final. Além de pegar o revezamento em primeiro, Bernard resolve brincar também com o relógio e nadou em 46s73, entrando para o rol dos homens abaixo de 47 segundos.

Na virada dos 50m finais, a Austrália já parecia fora da disputa do título. Estávamos a 50m da consagração francesa e do fim prematuro do sonho de Phelps. Mas aí começou a mais inacreditável recuperação que eu já vi na vida na natação (sei lá se já vi algo parecido em outro esporte...). Jason Lezak meteu a faca entre os dentes e partiu pro tudo ou nada, numa caça inabalável ao recordista mundial.

A linha do recorde mundial na televisão já era motivo de piada: simplesmente os seis primeiros estavam na frente da marca. Faltando uns 20 metros, Bernard ainda era o primeiro. Lezak então fez o impossível: num sprint final digno de levantar defunto, bateu Bernard no toque da borda, cravou impossíveis 46s06, terminou em primeiro, pulverizou o recorde mundial com 3min08s24 e decorou o peito de Phelps (que vibrava alucinadamente no bloco de partida) com a segunda medalha de ouro. A marca antiga, de 3min12s23, que havia sido batida na véspera, nas eliminatórias, pela equipe americana, parecia um tempo de juvenis. Apenas a África do Sul (sétima) e Grã-Bretanha (oitava) não superaram a antiga marca mundial.

Depois de pular da cama e gritar uns 30 "caralho", "puta que pariu" e "que porra é essa?", consegui então me dar conta que estava presenciando a história ser escrita diante de meus olhos. A última frase que balbuciei antes que meus batimentos cardíacos voltassem ao "normal" foi: "cacete, o Lezak salvou a vida do Phelps...".

Como apenas o tempo do nadador que abre o revezamento conta para homologação de recorde mundial individual, o novo recordista é Eamon Sullivan. Mas os tempos fantásticos de Bousquet, Bernard e principalmente Lezak mostram que a final individual dos 100m pode ser o ápice da história da natação mundial. E com sua belíssima marca, Phelps confirma a condição de maior fenômeno do mundo, pois prova ter condições de nadar provas de resistência (400m medley) e velocidade (47s51 nos 100m livres).

Se Michael Phelps realmente superar a marca de Mark Spitz, certamente vai colocar um busto em homenagem a Jason Lezak em sua sala de medalhas. E um detalhe: Lezak tem 32 anos e treina sozinho, na hora do almoço, pois trabalha de manhã e de tarde...