quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Para manter a tradição de medalhas do judô

Nenhum dos dois disputou os Jogos Olímpicos de Atenas. Agora ambos chegam à Pequim na condição de favoritos ao ouro olímpico em suas categorias. O meio-médio Tiago Camilo (até 81kg) e o meio-leve João Derly (até 66kg) têm histórias diferentes, mas querem o mesmo resultado nas Olimpíadas.

Derly era considerado aos 23 anos um dos melhores judocas da nova geração em 2004, mas perdeu a vaga olímpica para Henrique Guimarães. A partir do ano seguinte, tudo mudou para o gaúcho. No Mundial do Cairo, João se tornou o primeiro brasileiro campeão mundial adulto. No ano seguinte ganhou a Super Copa do Mundo de Paris e acabou o ano como o primeiro lugar no ranking mundial de judô. Em 2007, papou o ouro no Pan do Rio e repetiu o feito no campeonato mundial, tornando-se então o primeiro brasileiro bicampeão do mundo.

Aos 18 anos, campeão mundial juvenil em 1998, junior em 1999, Camilo chegou a Sidney para disputar os Jogos Olímpicos como a então maior revelação do judô brasileiro, depois de superar a estrela Sebastian Pereira na seletiva da categoria leve. Tiago disse que iria a Sidney buscar uma medalha. Dito e feito: voltou de lá com a medalha de prata. Depois disso, com uma carga de responsabilidade por resultados imensa para a pouca idade, passou por um período de vagas magras. Subiu de categoria e reencontrou os bons resultados: como médio, foi campeão pan-americano em 2007. Dois meses depois, já como meio-médio, assombrou o mundo ao conquistar o Campeonato Mundial vencendo todas as sete lutas por ippon (golpe perfeito do judô, que encerra a luta, como um nocaute). Terminou o ano passado apontado como o melhor judoca do mundo em todas as categorias.

Derly hoje é o cara a ser batido na meio-leve. Todos os adversários o estudam e dificultam suas lutas. A prova disso foi a dificuldade encontrada no bicampeonato mundial do ano passado. Camilo se tornou respeitado e certamente qualquer adversário entrará no dojo o respeitando muito. Atualmente treinando juntos na Sogipa, de Porto Alegre, os dois levam à Pequim as maiores esperanças brasileiras de continuar com a bela tradição do judô, que traz medalhas em todas as edições desde os Jogos de Los Angeles em 1984.

Vamos torcer para que a imagem acima, de Tiago Camilo comemorando, enquanto o adversário fica estatelado, de costas no chão, após o inapelável ippon, repita-se por mais seis vezes e que ele traga o ouro que lhe escapou em Sidney. E que Derly continue cerebral, raçudo e mortífero, como vem sendo desde 2005.

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